Editorial

A participação social não é um rito burocrático nem um complemento opcional à gestão pública: é condição para que políticas bem desenhadas no papel funcionem na vida real. Indicadores, normas e orçamentos ajudam a orientar decisões, mas não revelam as barreiras enfrentadas por pacientes e usuários de serviços. Ouvir quem vive os efeitos de uma política permite identificar problemas que não aparecem nos relatórios e aproximar a ação do Estado das necessidades reais da população.

Nesta edição, o leitor verá que é preciso que os canais de consulta sejam diversos, acessíveis e vinculados a decisões concretas. Cabe ao poder público coordenar interesses, proteger direitos e reduzir essas desigualdades, garantindo espaço também a quem conhece de perto os efeitos das políticas, está sempre distante das decisões.

Evidências e ferramentas digitais podem ampliar o debate, mas não asseguram representatividade por si mesmas. Uma política pública mais justa e eficaz depende, portanto, de transparência, escuta e retorno institucional — não apenas para que a sociedade seja ouvida, mas para que suas contribuições sejam consideradas e incorporadas quando puderem melhorar a decisão.

Também abordamos como as organizações devem se preparar para mudanças e possíveis interrupções em políticas, projetos e relações institucionais nos anos eleitorais, sem suspender o diálogo com os diferentes atores. A atuação precisa ser neutra, transparente, legal e baseada em evidências, mantendo equilíbrio entre candidaturas e evitando vínculos partidários. Nas transições de governo, é mais eficaz apresentar demandas específicas e fortalecer argumentos para o novo mandato, destacando os impactos econômicos e sociais das políticas públicas.

Nesta Edição

Coluna Radar

IRELGOV promove Encontro com Especialistas em Brasília

O IRELGOV promoveu, no dia 28 de agosto, em Brasília, uma edição especial do Encontro com Especialistas, dedicada ao tema “Gestão de Risco Político: Reflexões sobre o cenário brasileiro contemporâneo”.

A abertura do encontro foi conduzida por Lara Gurgel, presidente do IRELGOV, que destacou a importância de promover espaços qualificados de diálogo e reflexão sobre os desafios do cenário político e seus impactos para a atuação dos profissionais de Relações Institucionais e Governamentais.

O debate contou com a participação dos ex-conselheiros do IRELGOV Creomar De Souza, sócio-fundador da Dharma Political Risk and Strategy, e Helga Franco, diretora de Relações Governamentais Federal na Vale. Ao longo da conversa, os especialistas compartilharam análises e experiências sobre conjuntura nacional, identificação e gestão de riscos políticos e os impactos desse ambiente para organizações, estratégias e relações governamentais.

Desafios econômicos de 2027 em debate em Encontro no RJ

Quais desafios econômicos 2027 reserva? Para debater o tema, o Instituto de Relações Governamentais (IRELGOV) realizou no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, dia 31, com apoio da WMF Capital Research, o encontro “Panorama Econômico para tomada de decisão em 2027”, que reuniu especialistas para uma conversa sobre cenário econômico, reforma tributária, perspectivas e os principais fatores que devem orientar decisões estratégicas no próximo ano.

Organizado pelo diretor regional do IRELGOV e comentarista de economia na CNN, Gilvan Bueno, e por Julia Nicolau, coordenadora de Análise e Suporte à Competitividade Empresarial da Firjan, o evento trouxe um tom otimista em relação ao Rio de Janeiro. Segundo os presentes, a reforma tributária, por exemplo, focada em taxar no destino, deve impulsionar a arrecadação do estado, que conta com um grande número de consumidores. Outros pontos fortes são a logística, com porto como o do Porto do Açu, e a exploração de petróleo.

Participaram ainda Priscila Sakalem, advogada tributarista, Breno Medeiros, consultor especializado em O&G (Óleo e Gás) e André Senna Duarte, professor da PUC-Rio.

Encontro com Especialistas em SP discute ética, integridade e boas práticas de governança

Ética, integridade e boas práticas de governança estiveram no centro de mais uma edição do Encontro com Especialista do IRELGOV, realizada no dia 1º de setembro, em São Paulo. O encontro contou com a participação de Daniel Falcão, Controlador-Geral do Município de São Paulo, que compartilhou reflexões e experiências sobre o papel dos Comitês de Ética e Integridade e os desafios para fortalecer uma cultura ética dentro das organizações.

A conversa também reforçou a importância de incorporar critérios de integridade aos processos de tomada de decisão, à governança e à construção de relações institucionais responsáveis e transparentes.

Mais uma oportunidade promovida pelo IRELGOV para conectar associados e convidados em torno de temas fundamentais para o fortalecimento das Relações Institucionais e Governamentais no Brasil.

Participação social: o caminho para políticas públicas mais eficazes

Decisões públicas tomadas exclusivamente dentro de gabinetes podem ser tecnicamente coerentes, mas correm o risco de não funcionar. O caminho para políticas públicas aplicáveis na prática passa por permanente diálogo entre governo, empresas, organizações da sociedade civil e cidadãos – somente assim é possível melhorar políticas públicas, ampliar a transparência e reduzir o risco de decisões distantes da implementação.

Nelson Mussolini – Presidente-executivo do Sindusfarma

Para Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma, quem está diretamente na ponta conhece problemas que dificilmente aparecem em relatórios ou planilhas. Na área da saúde, ele cita como exemplo pacientes que precisam peregrinar entre serviços desconectados, repetir exames e coordenar sozinhos o próprio tratamento. “A decisão pública tomada de dentro para fora, no gabinete, costuma ser tecnicamente coerente e praticamente equivocada”, afirma. “A participação social ajuda a reduzir essa distância ao levar ao Estado informações que não estão disponíveis nos sistemas oficiais, antecipar efeitos não previstos e conferir legitimidade às decisões”.

A vice-presidente da ABRIG e fundadora da Sinapse Brasil, Tacyra Valois, também considera que a participação da sociedade aproxima a decisão pública da realidade sobre a qual ela pretende atuar. Segundo ela, governos trabalham com indicadores, normas, orçamento e estruturas administrativas, mas esses instrumentos nem sempre mostram as dificuldades enfrentadas pela população no cotidiano. “Um serviço pode estar disponível, financiado e apresentar bons números de produção, mas continuar inacessível para determinados grupos ou territórios. A participação pode melhorar o diagnóstico, revelar barreiras e antecipar consequências que não estavam previstas no desenho inicial”, afirma.

No entanto, a complexidade dos problemas públicos exige a participação de diferentes atores. Governo, empresas, organizações da sociedade civil, universidades, profissionais e cidadãos detêm conhecimentos distintos sobre uma mesma política. Para Tacyra, quando essas informações permanecem desconectadas, as políticas também tendem a ser fragmentadas. O diálogo pode melhorar a formulação, a implementação e a avaliação das ações públicas, desde que o Estado mantenha a responsabilidade de coordenar interesses e proteger direitos.

Mell Faber, especialista em Congresso Nacional, afirma que cada setor possui uma peça fundamental do processo decisório. O governo possui autoridade regulatória e visão orçamentária. Já o setor produtivo domina investimentos, empregos e mercado e a sociedade civil organizada articula causas e conhecimento técnico. “No fim, os cidadãos avaliam a qualidade dos serviços na prática. O erro mais comum na formulação de políticas é ouvir apenas os atores organizados e ignorar a percepção direta da população”, afirma.

Entre os mecanismos de participação com maior capacidade de influenciar decisões concretas, o presidente-executivo do Sindusfarma destaca as consultas públicas das agências reguladoras, como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além das audiências públicas e das reuniões abertas da Diretoria Colegiada. Para ele, esse modelo amadureceu porque permitiu aproximar os reguladores da realidade dos setores regulados, mas a participação só é efetiva quando as contribuições recebem resposta. Ele cita como exemplo o caso da Resolução CMED nº 3/2025, que redesenhou a precificação de medicamentos, quatro entidades do setor apresentaram uma nota técnica conjunta com mais de 60 pontos para esclarecimento ou ajuste. No entanto, as perguntas não foram respondidas antes da entrada em vigor da norma, que acabou alterando mais de dez dispositivos no próprio dia de sua vigência. “Quando a consulta vira formalidade, o preço aparece depois, em insegurança jurídica e judicialização”, afirma.

Tacyra Valois – Vice-presidente da ABRIG e fundadora da Sinapse Brasil

Tacyra Valois ressalta que não existe um mecanismo superior aos demais. Conselhos e conferências, por exemplo, institucionalizam a participação e garantem continuidade e consultas públicas são importantes em temas técnicos e regulatórios. “Já audiências tornam posições e conflitos mais visíveis, enquanto frentes parlamentares ajudam a organizar agendas no Congresso. O mecanismo funciona melhor quando está conectado a uma decisão concreta”, avalia.

As relações governamentais e institucionais podem ser a chave para melhores decisões graças às suas capacidades de funcionarem com pontes entre as demandas da sociedade e os tomadores de decisão. “A área de relações institucionais existe para transformar dificuldade operacional em proposta compreensível para quem decide”, diz Mussolini. Faber destaca que muitas demandas não avançam porque não são convertidas em instrumentos compatíveis com o processo legislativo, como minutas de emendas viáveis ou análises de impacto orçamentário. “Quando exercidas com ética e compromisso público, as relações governamentais podem qualificar o debate e reduzir o espaço para decisões improvisadas”.

De acordo com a vice-presidente da ABRIG, uma demanda legítima pode chegar ao poder público sem considerar orçamento, competência institucional, regulação, efeitos sobre outros setores ou condições de implementação. O trabalho qualificado, segundo ela, deve estruturar o problema, apresentar evidências, identificar os grupos afetados e comparar alternativas. Ela chama atenção para outro aspecto: a desigualdade de acesso. Uma organização com equipe técnica permanente e presença em Brasília possui condições muito diferentes das de uma comunidade que desconhece os canais institucionais disponíveis. “Transparência precisa caminhar junto com pluralidade. Não basta saber quem esteve à mesa de negociação, é preciso se perguntar quem deveria estar e não conseguiu chegar”, afirma.

Dados e estudos podem qualificar o debate, mas não eliminam a necessidade de escolhas políticas. Mussolini cita o estudo SNAPSHOT Brasil, segundo o qual 12,7% dos brasileiros em tratamento para hipertensão e diabetes tipo 2 atingem as metas terapêuticas. O número, segundo ele, não define sozinho qual política deve ser adotada. Mas obriga a sociedade a discutir prioridades orçamentárias, modelos de remuneração e integração entre os níveis de atenção. “O dado diz o que acontece; o debate decide o que fazer a respeito”, afirma.

Valois concorda que evidências podem mostrar a dimensão de um problema, revelar desigualdades, estimar custos e comparar alternativas. Porém, políticas públicas também envolvem valores, prioridades e distribuição de recursos — questões que nenhuma base de dados responde sozinha. “Conhecimento não é produzido apenas por especialistas. Profissionais, usuários, comunidades e organizações sociais acumulam informações relevantes sobre a forma como uma política funciona na prática. A boa decisão pública precisa combinar essas fontes”.

A introdução das ferramentas digitais trouxe um novo cenário: reduziu custos de mobilização e ampliou o acesso a documentos, consultas públicas, votações e reuniões. Associações de pacientes com doenças raras, movimentos locais e grupos historicamente afastados dos centros de poder passaram a ter mais condições de organizar campanhas, produzir informações e apresentar demandas. A vice-presidente da ABRIG, porém, pondera que a tecnologia não deu voz às minorias, que sempre existiu. “O que mudou foi a possibilidade de ampliar seu alcance, conexão e visibilidade. Entretanto, persistem desigualdades de acesso à internet, alfabetização digital, tempo disponível e conhecimento sobre o funcionamento das instituições. Além disso, as redes sociais também favorecem a desinformação, a polarização, o assédio e a manipulação. Visibilidade não é representatividade, e engajamento não é consenso”, argumenta.

O presidente-executivo do Sindusfarma reconhece os ganhos de acesso, mas alerta para a transformação de debates técnicos em disputas de torcida. Ele também chama atenção para riscos sanitários relacionados à divulgação de medicamentos por influenciadores e à venda de produtos sem registro ou prescrição nas redes sociais.

Quando apenas grupos com maior capacidade financeira, técnica ou organizacional conseguem participar, a influência política pode se concentrar de maneira desproporcional. Valois observa que os grupos com menos recursos são, muitas vezes, os que mais dependem da qualidade das políticas públicas e os que melhor conhecem seus efeitos na vida cotidiana. A solução, segundo ela, não é limitar a participação dos setores organizados, mas ampliar as condições para que outros atores também possam participar. “O desafio democrático não é silenciar quem chegou à mesa. É evitar que a mesa seja ocupada sempre pelos mesmos”, afirma.

Mell Faber – Especialista em Congresso Nacional

Para Mell Faber, a exclusão digital, por sua vez, mantém parte da população afastada desses novos canais de influência. A especialista em Congresso Nacional alerta que essa assimetria pode levar à captura do Estado por interesses particulares, favorecendo subsídios, benefícios fiscais e barreiras à concorrência em favor de setores específicos. “Essa assimetria de poder cria um círculo vicioso: os grupos financeiramente mais fortes blindam seus interesses na lei, enquanto a grande maioria da população, desprovida de canais diretos de influência, suporta os custos fiscais e a deterioração dos serviços básicos”, alerta.

A participação social, portanto, não deve ser compreendida apenas como um direito de manifestação. Quando estruturada com transparência, diversidade, acesso a informações e retorno institucional, ela se transforma em uma ferramenta de gestão pública. Mais do que ouvir a sociedade, o desafio é garantir que suas contribuições sejam consideradas, respondidas e, principalmente, incorporadas sempre que contribuírem para decisões mais justas, eficientes e conectadas à realidade da população.

Ano eleitoral exige cuidados

Em anos eleitorais, as organizações enfrentam riscos como descontinuidade de políticas públicas, projetos e relacionamentos, mas participação e diálogo não devem ser interrompidos. Mudanças no Executivo podem despriorizar iniciativas, enquanto, no Legislativo, projetos podem ser arquivados, relatores substituídos e comissões recompostas. No entanto, a empresa deve acompanhar continuamente governo, Congresso, órgãos reguladores, entidades setoriais, sociedade civil e imprensa, além de mapear novos atores, identificar mudanças de posicionamento e elaborar cenários possíveis.

Thomaz D’Addio – Diretor da consultoria Ágora

Para Thomaz D’Addio, diretor da consultoria Ágora, o principal risco nesse período é a descontinuidade de políticas públicas e projetos. “No caso do Legislativo, projetos em tramitação podem ser arquivados, relatores alterados e composições das comissões mudadas. Todas essas mudanças podem significar a necessidade de reapresentação de argumentos e alterar a prioridade dos projetos”, afirma.

A atuação com candidatos, partidos e representantes públicos deve ser pautada por neutralidade, transparência, isonomia e conformidade legal. Os posicionamentos precisam se basear em fatos, evidências e argumentos técnicos sobre políticas públicas, e não em preferências partidárias ou relações pessoais. A organização pode defender seus interesses legítimos, apresentar propostas e alertar para riscos regulatórios, desde que mantenha diálogo equilibrado com diferentes candidaturas e evite associar suas demandas a um único grupo político.

“A neutralidade é muito importante nesse contexto, uma vez que as relações governamentais não devem ser impactadas pelo posicionamento político. Nesse sentido, é relevante se apoiar em análises técnicas e argumentação sólida para construir o posicionamento em políticas públicas e não em políticas de governo”, reforça.

Momentos de transição são importantes para construir relações com novos governos e para apresentar as prioridades de negócio e setoriais, visando manter a segurança jurídica e condições favoráveis no ambiente de negócios. No entanto, D’Addio alerta que o prazo é bastante curto e que as equipes do governo de transição estão imersas nesse processo. “Não é o momento para apresentações institucionais, mas cabe a construção de pleitos específicos e fortalecimento da argumentação para engajar com o novo governo logo após a posse”.

As estratégias de comunicação adotadas devem ser transparentes, baseadas em informações verificáveis e sensível às diferentes interpretações políticas. “A organização precisa ter a sensibilidade de perceber como informações e posicionamentos serão interpretados pelos diferentes matizes políticos. nesse sentido, é importante fortalecer a visão sobre políticas de estado e seus impactos econômicos e sociais na sociedade e no setor”.

Artigo

Arbitragem: uma agenda estratégica para as Relações Institucionais e Governamentais

Raphael Lucca é head de Mídia e Comunicação da Arbitralis Legal OS

As Relações Institucionais e Governamentais (RIG) têm como um de seus principais objetivos construir um ambiente de negócios mais seguro, previsível e favorável ao desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o diálogo entre empresas, poder público, entidades representativas e sociedade civil precisa ir além da discussão de políticas públicas, incorporando também soluções capazes de tornar o sistema de Justiça mais eficiente e compatível com as demandas da economia contemporânea.

Artigo

Tecnologia não escala sozinha: o novo papel das Relações Governamentais na economia dos ecossistemas inteligentes

Bernhard Smid é doutor em Administração de Empresas pela Université de Bordeaux

Uma tecnologia pode ser extraordinária. Seu verdadeiro potencial, porém, revela-se quando consegue resolver problemas reais, conectar pessoas e organizações e gerar valor para um ecossistema inteiro. Essa percepção ajuda a explicar uma transformação em curso nas Relações Governamentais. O profissional da área deixa progressivamente de ser apenas um intérprete do processo decisório público para assumir uma função de inteligência estratégica, conectando governo, empresas, investidores, tecnologia e sociedade.

Artigo

A qualidade da decisão pública sob o prisma da participação política para além do período eleitoral

Pedro Ditomaso é especialista na área de Relações com Investidores em Companhias Abertas (S.A.)

 A configuração das democracias contemporâneas tem sido submetida a um processo de transformação estrutural, no qual a legitimidade do poder estatal não deriva mais exclusivamente do rito periódico do sufrágio universal. Se a democracia representativa, traduzida no ato de eleger mandatários, constitui o pilar fundamental de sustentação dos regimes liberais, ela apresenta limitações intrínsecas para lidar com a complexidade e a velocidade das demandas da sociedade atual. No campo das Relações Institucionais e Governamentais (RIG), depara-se com uma mudança de paradigma: a percepção de que a participação política ativa atua como um catalisador da qualidade, da previsibilidade e da perenidade das decisões políticas. A efetividade das políticas públicas depende da capacidade do Estado de absorver, processar e integrar as contribuições oriundas da sociedade civil, garantindo um processo de construção colaborativa e deliberativa.

Artigo

Participação que não dialoga: limites das consultas públicas em agências reguladoras do Brasil

Gabriel Borges é gerente de Políticas Públicas da Buser Brasil

Há uma frase recorrente nos corredores de agências reguladoras que resume o problema deste artigo: “a contribuição foi analisada”. É a resposta padrão que o setor regulado recebe depois de meses dedicados à construção de uma manifestação técnica robusta para uma consulta ou audiência pública. A exigência legal de participação social é cumprida, mas o ciclo se encerra ali. Raramente há uma nova rodada em que a agência devolva ao setor sua análise, explique por que acatou ou rejeitou cada ponto e abra espaço para contrapropostas. O resultado é uma norma que nasce com aparência de diálogo, mas sem a substância de uma construção conjunta.

Artigo

O poder entre a urna e a posse

Fábio Zambeli é diretor-geral da Athos Public Affairs

Há um erro frequente na leitura empresarial dos ciclos de poder: considerar janeiro como o ponto de partida de um novo governo. A posse tem força simbólica, mas uma parcela cada vez mais relevante das decisões que condicionam os primeiros meses de gestão começa a ser tomada logo após as urnas.

Artigo

O papel das relações governamentais na construção de um sistema político participativo

Amanda Borban é coordenadora em Relações Institucionais e Governamentais na MBRF

Em um sistema democrático, devem existir inúmeros instrumentos para o debate de propostas e a reivindicação de direitos. Um desses instrumentos é denominado Relações Governamentais ou lobby. Essa atividade deve ser exercida dentro da legalidade e da ética por grupos de interesse legítimos, com o objetivo de serem ouvidos pelo poder público e contribuírem para a tomada de decisões.

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Jornalista Responsável
Luiza Paula Sampaio (MTb 17.043)

Coordenação Editorial
Thomaz D’Addio
Daniela Queiroz

Colaboraram nesta edição
Fernando de Moraes
Iolanda Vieira

Suporte
Márcia Rosa, Patrícia Coelho e Débora Santos

Conselho Diretor:
Lara Gurgel — Presidente
Mariana Guimarães — Vice-Presidente
Rafael Barreto — Conselheiro do Jurídico
Ariela Simoni — Conselheira de Profissionalização e Carreiras
Silvia Menicucci — Conselheira de Sustentabilidade Institucional
José Pimenta — Conselheiro de Conteúdos
Tatiana Porto — Conselheira de Responsabilidade Social
Roberto Campos — Conselheiro de Planejamento Estratégico
Josemar Franco — Conselheiro de Parcerias e Unidades Regionais
Thomaz D’Addio — Conselheiro de Comunicação
Carlos Petiz — Senior Fellow
Dayana Morais — Senior Fellow
Floriano Pesaro — Senior Fellow
Mariana Chaimovich — Senior Fellow
Augusto Cesar Anunciação — Diretor Regional do IRELGOV no Pará
Fernanda Noronha de Carvalho Rodriguez — Diretora Regional do IRELGOV na Bahia
Fernando Carneiro — Diretor Regional do IRELGOV no Distrito Federal
Gilvan Bueno — Diretor Regional do IRELGOV no Rio de Janeiro
Guilherme Augusto Batista Carvalho — Diretor Regional do IRELGOV em Goiás
Gustavo Bernard — Diretor Regional do IRELGOV em Minas Gerais
Lucas Monteiro de Souza — Diretor Regional do IRELGOV em Pernambuco
Márcio Silva da Lira — Diretor Regional do IRELGOV no Amazonas
Vanessa de Mattos Tavares — Diretora Regional do IRELGOV no Espírito Santo

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