DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
ELEIÇÃO IRELGOV
Após adiamento, associados
escolhem novo conselho
WEBINAR IRelGov
Muito além das
palestras online
ARTIGOS
. Pespectivas de melhores práticas em RIG
. STF: COVID-19 é doença ocupacional?
A revista digital do Instituto de Relações Governamentais (IRELGOV)
Ano 7 – Edição 2 – Junho de 2020
• SDR NÃO VAI SUBSTITUIR PLENÁRIO, DIZ BANDEIRA DE MELLO
• UMA AÇÃO DE GUERRA PARA IMPORTAR MÁSCARAS E RESPIRADORES
COMO TEMOS
ENFRENTADO A CRISE
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
Editorial
EXPEDIENTE #01
ANO 7 – Junho de 2020
DIÁLOGOS IRELGOV é uma
publicação do Instituto de Relações
Governamentais (IRELGOV)
Rua Gomes de Carvalho, 1356
2º andar, E.58
Vila Olímpia – São Paulo – SP
CEP: 04547-005 | Fones:
+55 11 3995-5210
+55 11 98536-0012
E-mail: irelgov@irelgov.com.br
Conselho Deliberativo
Bruno Perman (presidente)
Suelma Rosa (vice-presidente)
Erik Camarano
Fernanda Burle
Gabriel Di Blasi
Kelly Aguilar
Manoel Fernandes
Conselho Fiscal
Mariana Guimarães
Comitê Editorial
Andrea Gozetto
Bruno Perman
Catarina Correa
Eduardo Galvão
Edna Dantas
Fabiano Rangel
Kelly Aguilar
Mariana G. B. Braga
Michel Neil
Raquel Fernandes Batista Araujo
Rodrigo Navarro
A revista Diálogos IRELGOV é
editada pela Varidel Comunicação
Rua Cardoso de Almeida, 1006,
Conjunto 9 – Perdizes – São Paulo –
SP – CEP 05013-001
Tel.: +55 11 2501.2202
Email: varidel@varidelcomunicacao.
Jornalista Responsável:
Edna Dantas (MTb 1.259/DF) –
Colaboraram nessa edição:
Renata Miyabe Ueda (design gráco),
Daniele Aronque (revisão)
e Juliana Mariz (reportagem e texto)
Foto de capa: BigStock
DÉCADA DE OURO
Com tantas transformações ocorridas no ambiente político, durante os últimos anos, ar-
risco dizer que a atividade de Relações Governamentais está vivendo a sua década de ouro.
Entendo que a grande mudança Legislativa, que proporcionou tais transformações, foi
a Lei nº 12.846/2013, conhecida como a Lei Anticorrupção. A dita legislação proporcionou
o início da operação Lava Jato, em 2014, e mudou a forma de interação entre os setores
público e privado, face à grande pressão por regras rígidas de transparência, compliance e
accountability. Com isso, um enorme mercado se abriu, não só as multinacionais enxergam
a nossa atividade como essencial e estratégica. Agora, empresas médias e grandes, o ter-
ceiro setor e as associações de classe começaram a entender a nossa importância.
Além do ponto de vista estratégico, as variadas crises políticas colocaram fermento nes-
se mercado. Vivenciamos um impeachment Presidencial em 2016, em seguida uma eleição
marcada pela inuência das redes sociais em 2018 e agora a Pandemia da COVID-19, que
veio para colocar a cereja no bolo da instabilidade política. Essas variáveis se transforma-
ram em vetor para o aquecimento da demanda. Olhando para o futuro, quais desaos te-
remos que enfrentar? Para quem achava que já tínhamos experimentado de tudo desde
2013, acredito que transformações ainda mais profundas virão.
O tema das Relações Governamentais é apaixonante, mas hoje venho aqui me despe-
dir da Presidência do Conselho do iRelGov. Foi um período de desaos, aprendizados,
construção de uma base sólida e muitos avanços. A sensação é de dever cumprido, pois
vejo que somos uma comunidade muito envolvida e defensora da bandeira das Relações
Governamentais. Acreditamos que através dela poderemos fazer um país melhor e uma
Democracia forte. A minha contribuição à frente do IRelGov nesses últimos dois anos foi
materializada por meio de muito engajamento e dedicação. Coloquei o meu tijolo neste
alicerce. Vejo que tem muito a crescer, bem como fortalecer, ainda mais, os seus pilares de
fundação, que são a Educação e Reputação.
Nessa trajetória contei com o apoio dos Conselheiros Suelma Rosa (na vice-presidência),
Erik Camarano, Fernanda Burle, Gabriel Di Blasi, Kelly Aguilar, Larissa Wachholz, Manoel Fer-
nandes, Diana Loos e Fernando Bueno. Dos diretores Egon Schaden Júnior, Eriça Tominaru, Ju-
liana Celuppi, Raquel Araujo e Publio Madruga, além de Ana Stein, Mariana Guimarães, Silene
Moneta e suplentes Anna Paula Losi, Adriana Benatti e Wanderley Moreno, do Conselho Fis-
cal, colaboradores e parceiros Márcia Rosa, Julia Lousa, Fábio Okubaru e Edna Dantas. Sem a
participação desse time incrível não seria possível fazer tantas entregas em apenas dois anos.
Fizemos três missões internacionais, realizamos o primeiro Congresso de Relação Go-
vernamentais, participamos do primeiro anuário dos prossionais da área, publicamos o
Manual de Boas práticas em Relações Governamentais, conseguimos tornar a revista Diálo-
gos um veículo digital periódico e criamos mais robustez na comunicação das redes sociais.
Tudo isso nos possibilitou darmos vários passos nessa jovem jornada. Também conseguir-
mos atrair mais associados e realizarmos mais eventos, gerando mais caixa.
Hoje o IRelGov está preparado para crescer mais. Tenho certeza de que a próxima Di-
retoria saberá aproveitar o que foi construído, buscará novos desaos e contribuirá para
a melhoria da Educação e Reputação da atividade de Relações Governamentais no Brasil.
Agradeço aos associados do IRelGov pela conança e desejo sucesso a todos os inte-
grantes da próxima Diretoria.
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Bruno Perman
Presidente do IRelGov
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Junho 2020
Nessa edição
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Prossional de RIG conta os detalhes
da operação da Suzano para importar
máscaras e respiradores
SOLIDARIEDADE
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Eleição do conselho deliberativo
IRelGov e da chapa Convergência
EVENTOS
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ENTREVISTA
Luiz Fernando Bandeira de Mello
diz que SDR não substituirá plenário
SUMÁRIO
04
RADAR
O balanço da gestão 2018-2020
Editorial ..................................................................... 02
O balanço da gestão 2018-2020 .......................... 04
Muito além dos webinars ....................................... 08
Eleição IRelGov e a chapa Convergência ............ 10
Seja sócio IRELGOV ................................................. 13
Associados ................................................................ 14
Política: legislativo e o corte na carne ................. 17
Entrevista: Luiz Fernando Bandeira de Mello
fala sobre SDR e democracias................................ 18
Solidariedade Suzano .............................................. 23
Solidariza IRelGov .................................................... 26
Artigo: perspectivas de melhores práticas
em RIG e a COVID-19 ............................................. 27
Artigo: o STF considera a COVID-19
como doença ocupacional? ................................... 31
Radar
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Na próxima edição desta revista, o IRel-
Gov terá um novo Conselho Deliberativo. Dez pro-
fissionais - mulheres e homens - que abdicarão de
seu tempo livre para ajudar a entidade e a ativi-
dade a se fortalecerem. O grupo que se despede,
liderado por Bruno Perman, pegou um período de
grandes turbulências no país e deixa a gestão no
momento que o Brasil e o mundo travam a maior
luta da humanidade na história recente - a pande-
mia do novo coronavírus.
No entanto, não poderiam sair sem apre-
sentar aos associados um balanço resumido das re-
alizações nestes dois anos à frente do IRelGov. Des-
de maio de 2018, o instituto promoveu 41 eventos,
entre debates, encontros de relacionamento, net-
working e webinars, 1 congresso nacional de rela-
ções governamentais e 3 missões internacionais de
estudo. Isso tudo envolvendo cerca de 1.730 pes-
soas. A gestão que sai tem orgulho do que fez até
aqui e acredita que muito mais será feito.
O BALANÇO
DA GESTÃO
2018-2020
O Guia de Melhores Práticas da Atividade de Relações Go-
vernamentais foi lançado no dia 30 de setembro de 2019. A entrega
da publicação foi fundamental na construção dos alicerces da ativida-
de de Relações Governamentais no Brasil. Como think tank, o IRelGov
se organizou em torno de um projeto de transformação da atividade,
baseado em dois pilares: Educação e Reputação. O guia aborda, de for-
ma transparente, práticas recomendáveis e aquelas que não devem
ser usadas no exercício da atividade. O trabalho de produção do Guia
teve a coordenação de Kelly Aguilar, Fernanda Burle, Erik Camarano e
Valeria Café, com a contribuição de Alessandra Gualberto, Andréa Go-
zetto, Bárbara Teles, Cinthia Battilani, Edgard Usuy, Eriça Tomimaru,
Fabiana Parajara, Fábio Rua, Juliana Celuppi, Michel Neil, Shirley Eme-
rick e Vander Giordano. Para acessar, clique aqui e faça o download.
ESSENCIAL PARA A PRÁTICA DE RELGOV
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Radar
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ENCONTRO DE RELACIONAMENTOS
CONGRESSO RELGOV
No ano passado, membros do
conselho deliberativo do IRelGov parti-
ciparam de quatro encontros de relacio-
namento com autoridades brasileiras e
chinesas. Na visita à Embaixada da China,
os representantes do instituto estiveram
com o ministro conselheiro Ou Yuhui para
apresentar o programa de atividades
previstas nas cidades de Pequim e Xan-
gai, destino da 3
a
missão internacional de
estudos organizada pelo IRelGov. Outro
encontro de relacionamento do instituto
foi na Controladoria Geral da União, onde
representantes da entidade se encontra-
ram em três ocasiões com o ministro Wag-
ner Rosário. Na primeira delas, para tratar
sobre pontos do decreto que regulamen-
taria o lobby no Poder Executivo Federal.
Nos dias 13 e 14 de junho do ano passa-
do, mais de cem profissionais participaram do Con-
gresso de Relações Governamentais (ConRelGov),
realizado no Hotel Grand Mercure Ibirapuera, em
São Paulo, e promovido pelo IRelGov em parce-
ria com a Blueprintt. O evento abordou os temas
mais relevantes da área, como a regulamentação
do lobby, compliance, combate à corrupção, men-
suração de resultado de relações governamentais,
aplicação de tecnologia e capacitação profissional.
No painel de abertura, o presidente do
IRelGov ressaltou a legitimidade da atividade de
relações governamentais na construção de polí-
ticas públicas equilibaradas. O ConRelGov teve
patrocínio da Patri Políticas Públicas, da Di Blasi,
Parente & Associados e do Sigalei.
Promovido pelo IRelGov, o ConRelGov
reuniu mais de cem profissionais no
Hotel Mercure Ibirapuera, em São
Paulo, em junho do ano passado
O encontro de representantes do IRelGov com ministro
da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosario (à dir.)
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Radar
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Uma parceria do IRelGov
com a AmCham Brasil viabilizou
duas missões internacionais de
estudo de profissionais de rela-
ções governamentais brasileiros à
Washington, capital dos Estados
Unidos. Na primeira viagem, rea-
lizada em julho de 2018, o grupo
de 25 pessoas participou da cha-
mada Missão Global Advocacy e
Lobbying, uma combinação de
atividades acadêmicas na George
Washington University (GWU) com
visitas a empresas, escritórios de
lobby e ao congresso norte-ameri-
cano. A segunda missão, aconteceu
em maio do ano passado. A agen-
da de atividades nos cinco dias foi
intensa e, além do curso customizado na GWU,os
participantes também fizeram visitas técnicas a
instituições que são referência em temas de advo-
cacy, lobby, regulações e think tanks.
Em outubro do ano passado, foi a vez do
IRelGov levar um grupo de profissionais de rela-
ções governamentais para uma missão internacio-
nal na China – com roteiro que incluiu as duas maio-
res cidades do país, Pequim e Xangai. A viagem foi
possível por meio de uma parceria do instituto com
a Associação de Amizade do Povo Chinês para com
os Países Estrangeiros, entidade de nível ministe-
rial. Assim, o grupo brasileiro teve acesso a alguns
dos principais ministérios do país: Comissão Nacio-
nal de Reforma e Desenvolvimento, Ministério da
Ecologia e do Meio Ambiente, Ministério da Agri-
cultura e dos Assuntos Rurais e com a Escola Cen-
tral do Partido Comunista Chinês, principal centro
de formação e capacitação de equipes para as ins-
tituições de governo da China.
MISSÕES INTERNACIONAIS:
WASHINGTON D.C., NOS EUA, E PEQUIM E XANGAI, NA CHINA
A missão do IRelGov na Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento
(CNRD), em Pequim, e na Bolsa de Valores de Xangai
A segunda missão para Washington DC: visita ao
Congresso Americano e curso customizado na GWU
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Radar
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REDES SOCIAIS
REVISTA DIÁLOGOS
COLUNA NO JOTA
No biênio 2018-2020 foram publicadas seis
edições da Diálogos IRelGov, que vem se consoli-
dando como um dos principais veículos para a pu-
blicação de artigos sobre relações governamentais.
Neste período, os textos abordaram desde o per-
fil do profissional e as competências exigidas pelo
mercado, novos cenários políticos, até temas como
compliance e comércio exterior, além de discussões
sobre comportamento e cotidiano das atividades.
No dia 11 de março de 2020, estreou a coluna
mensal que o IRelGov passa a publicar no site JOTA. O
primeiro artigo desta parceria foi assinado pelo presi-
dente da entidade, Bruno Perman, que no texto fez um
histórico do surgimento do Instituto, revelando seus
principais desafios. Depois da estreia, já publicaram
na coluna o associado Pedro Avellar Villas Boas, como
artigo Intitulado “Direito de Petição e Formação da
Agenda Governamental”, e a associada Andrea Hoff-
mann Formiga, que abordou o tema “Atuação em Re-
lações Governamentais em Tempos de Crise”.
2018 2020
687
seguidores
1.158
seguidores
não tinha
perfil
1.178
seguidores
2.770
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8.213
seguidores
WEBINAR
Os webinars foram um dos últimos proje-
tos lançados no final desta gestão. Do início de maio
até o fechamento desta edição, já foram realizados
sete eventos desta natureza tendo como tema cen-
tral “COVID-19: os Impactos nas Relações Governa-
mentais”. Leia mais sobre WEBINAR na página 8.
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Radar
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Webinars IRelGov: muito além
de palestras online
O projeto Webinar já fazia parte do plane-
jamento do IRelGov desde o ano passado, quando
uma pesquisa realizada pela diretoria de Comuni-
cação, capitaneada por Raquel Araujo, apontou
que as palestras digitais estavam entre as princi-
pais sugestões feitas por associados. A pandemia
do coronavírus acelerou a realização do projeto,
que foi lançado no dia 28 de abril, com o primeiro
de um total de dez episódios da série “COVID-19: os
impactos nas Relações Governamentais”.
Entre o primeiro episódio, que teve como
palestrantes a vice-presidente do IRelGov, Suel-
ma Rosa, e o cientista político Leonardo Barreto,
com mediação do presidente do instituto, Bruno
Perman, já aconteceram sete webinars IRelGov,
Foto: Bigstock
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Radar
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que deve concluir essa primeira série até o final de
junho. Mas o que fazer com um conteúdo tão rico
e com a participação de profissionais experien-
tes, capacitados e renomados depois que a luz da
camêra do computador se apaga?
O QUE É O WEBINAR EM RESUMO?
“A ideia é que o IRelGov seja na prática o
que ele é em definição: um think tank, ou seja, ser um
‘think’, que produz conhecimento, mas sendo tam-
bém um ‘tank’, um reservatório, que difunde ideias
e conhecimento”, afirma Raquel Araujo. Assim, to-
das as palestras online promovidas pelo instituto
são convertidas em artigos escritos por associados
com carreira acadêmica - o Webinar em Resumo.
O que é dito pelos palestrantes é escri-
to por um observador, com suas palavras, estilo
e acrescentando, caso queira, sua própria visão
sobre o tema. O primeiro artigo da série sobre o
impactos da COVID-19 nas relações governamen-
tais foi escrito pela doutora em Ciências Sociais,
Andrea Gozetto, coordenadora acadêmica do MBA
em Relações Governamentais da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), em São Paulo. Acesse o texto aqui.
Além dos artigos, os vídeos com a íntegra
das palestras estão sendo disponibilizados aos as-
sociados por e-mail.
Na foto, estão alguns participantes do Episódio 2, com Helga Franco, da Nestlé, Valéria Café, do IBGC, e Fábio Rua, da
IBM. Na pauta, Criação e Administração de Comitês de Gestão de Crise nas Empresas: o Papel do Profissional de RelGov
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Eventos
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A eleição online do novo Conselho
Deliberativo do IRelGov
A eleição do novo conselho deliberativo
do IRelGov aconteceria no dia 16 de abril, durante
Assembleia Geral Ordinária (AGO) convocada para a
data. No entanto, veio a pandemia do coronavírus, o
isolamento social e, seguindo as orientações das au-
toridades sanitárias, todas as atividades presenciais
realizadas pelo IRelGov foram suspensas e a esco-
lha da nova diretoria do instituto, adiada.
Dois meses depois desse adiamento, a
AGO foi convocada por meio de edital. Ao mesmo
tempo, foram divulgados os nomes que integram a
comissão eleitoral e a nova data da eleição, marca-
da para o dia 15 de junho, às 9 horas da manhã. Em
caráter especial, a votação – prevista para aconte-
cer cinco dias após o fechamento desta edição da
Diálogos IRelGov – seria realizada por meio de sis-
tema eletrônico online, com início e m determina-
dos durante a Assembleia. O sistema especializado
foi contratado de uma empresa independente es-
pecicamente para este m.
No Portal da Transparência, plataforma
online que reúne em um mesmo espaço todas as
informações referentes às eleições, estão o edital
de convocação, o edital do Comitê Eleitoral, o ca-
lendário do processo eleitoral e o acesso à votação
propriamente dita, entre outros documentos que
venham a surgir referentes a todo o processo.
TUDO NO MESMO DIA
O Comitê Eleitoral, composto por Kelly Cris-
tina Aguilar, Valeria Mandia Café e Alessandra Martins
Foto: Bigstock
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Eventos
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Gualberto Ribeiro, e calendário das eleições foram
denidos de acordo com as normas previstas no es-
tatuto do IRelGov. Assim, cou decidido que a divul-
gação do resultado da eleição e posse da nova direto-
ria aconteceria na mesma data: 15 de junho de 2020.
Ainda segundo o calendário divulgado pelo
Comitê Eleitoral, a inscrição de chapas candidatas
ocorreu até o dia 30 de maio e, pedidos de impugna-
ção, até 4 de junho. Não houve impugnação e apenas
uma chapa foi inscrita para a disputa – a Convergência.
Fazem parte da chapa única a atual vice-
-presidente do IRelGov no biênio 2018-2020, Suel-
ma Rosa, que desta vez se candidatou à presidência,
e como vice-presidente, Fábio Rua. Os oito conse-
lheiros são: Anna Losi, Creomar Souza, Diego Bono-
mo, Helga Franco, Juliana Celuppi, Raul Cury, Valé-
ria Rossi e Wagner Parente. Conheça um pouco mais
de cada integrante no texto abaixo.
De acordo com o edital de convocação da
AGO, somente os associados que não estiverem
inadimplentes por um período de 90 dias poderão
votar matérias de interesse do IRelgov. A norma
prevê também que apenas aqueles associados por,
no mínimo, seis meses poderão eleger os membros
do Conselho Deliberativo.
A chapa legitimada na eleição do dia 15 de
junho dirigirá o Instituto no biênio 2020-2022 e terá
pela frente o desao de participar do fortalecimen-
to da atividade de Relações Governamentais no pe-
ríodo histórico de pós-pandemia.
Quem é quem na chapa Convergência
PRESIDENTE 
Suelma Rosa
Lidera a área de Relações
Governamentais da DOW.
Co-fundadora do coleti-
vo Mulheres em Relações
Governamentais (MRG) e
membro da Women Inside
Trade, coordenou e leciona
em programas de gradu-
ação e pós-graduação no
Brasil e no exterior desde
2005. Em 20 anos de carreira, atuou no Governo Federal
brasileiro na área de Comércio e Negociações Interna-
cionais. Liderou estratégias de advocacy em Sustenta-
bilidade, Mudanças Climáticas, Meio Ambiente, Infra-
estrutura e Compras Públicas na Sociedade Civil e nas
Nações Unidas. Trabalhou em Relações Institucionais na
Vale, Petróleo Ipiranga e EMRC-Emerging Marketing Re-
search & Consultancy. É doutora pelo Departamento de
Ciência Política da Universidade de Pantheòn – Sorbon-
ne, em Paris. Mestre em Política Internacional e Compa-
rada e bacharel em Relações Internacionais pela Univer-
sidade de Brasília (UnB), entre outras especializações.
Fabio Rua
É diretor de Relações Go-
vernamentais e Assuntos
Regulatórios da IBM Amé-
rica Latina, na liderança de
uma equipe multidiscipli-
nar que atua diretamente
em 11 países com a missão
de contribuir para a trans-
formação digital e adoção
tecnológica pelos gover-
nos e sociedade latino-americana. Antes, foi diretor de
Relações Governamentais da GE América Latina e dire-
tor de Políticas de Comércio Internacional da Embraer.
Também passou pela Vale e pela AmchamBrasil.
Youtuber e Instagrammer, é criador do canal TechGov,
que tem por objetivo integrar a tecnologia aos debates
sobre política e economia. Também é cofundador do
movimento Brasil, País Digital, que se dedica à constru-
ção de um país mais digital e menos desigual. É gradu-
ado em Relações Internacionais (FAAP), pós-graduado
em Diplomacia Econômica (UNICAMP) e mestre em Ges-
tão de Negócios Internacionais (FGV/RJ).
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Eventos
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CONSELHEIRAS E CONSELHEIROS
Mãe de Gabriel Caled e Ma-
ria Clara, cientista política
por formação, atuou como
RelGov na Patri, na Umbeli-
no Lôbo e na Dominium Con-
sultoria. Em Brasília, liderou
a agência Burson Cohn &
Wolfe (BCW). No governo,
foi gerente no Alfabetiza-
ção Solidária. Hoje é diretora
executiva da AIPC.
CEO do Radar Governamen-
tal e sócia-administrado-
ra do Celuppi Advogados.
Entusiasta da democracia,
com a missão de utilizar
da tecnologia e conheci-
mentos técnicos da área
de RelGov para aproximar
pessoas do processo legis-
lativo municipal, estadual e
federal.
É gerente-executivo de
Assuntos Internacionais
da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), com 20
anos de experiência em
relações internacionais e
governamentais no setor
privado, governo e acade-
mia. É professor do mes-
trado em Administração no
IBMEC, Brasília.
Líder de Assuntos Públicos
e Relações Governamentais
da ExxonMobil, atuou na
área de PR na Inpress Port
Novelli e jornalismo em ve-
ículos como O Globo. Jor-
nalista de formação, tem
especializações variadas em
instituições como Colum-
bia University, University of
Texas, entre outras.
CEO e Fundador da Dharma
Political Risk and Strategy
e professor convidado na
Fundação Dom Cabral, atua
como consultor de risco po-
lítico há 15 anos. Foi bolsista
do Departamento de Estado
do Governo dos EUA e Visi-
ting Faculty na University of
Florida (2009). É doutorando
de RI na UnB.
Sócio-fundador da VITTORE
Partners, é um dos pionei-
ros no recrutamento para o
mercado de Relações Gover-
namentais nas áreas de Le-
gal, Compliance e Corporate
Aairs. Advogado, tem es-
pecialização em Global Ad-
vocacy and International
Lobbying pela George Wa-
shington University (EUA).
Líder de Assuntos Públicos
na Nestlé, tem mais de 15
anos de experiência na área
de Relações Governamen-
tais em empresas como 3M,
Cargill e Mars. Começou
como analista na Patri. Cien-
tista Política e Advogada,
com especializações em Ad-
ministração Pública e Direito
Administrativo.
Acumula a função executiva de
CEO da BMJ com consultorias
nas equipes de RelGov e Co-
mércio Internacional. Na área,
trabalhou no Grupo Queiroz
Galvão, na Oxiteno Química,
entre outras. Advogado, mes-
tre em Direito das Relações
Econômicas Internacionais.
É co-idea-lizador do curso de
RelGov da FGV em São Paulo.
Anna Losi Juliana Celuppi
Diego Bonomo Valéria Rossi
Creomar Souza Raul Cury
Helga Franco Wagner Parente
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Associados do
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Seja sócio do IRELGOV
O trabalho para promover a educação e a reputação do profissional de Relações
Governamentais é planejado e organizado de forma voluntária por um grupo de conselheiros,
diretores, apoiadores e associados, que doam seu tempo para programar eventos e publicações
voltados à área, que estimulem o debate sobre a profissão e mostrem a ligação intrínseca entre o
diálogo público-privado e a democracia.
Para se associar, entre em contato:
Por telefone: (11) 3995-5210
Por email: irelgov@irelgov.com.br. Podem se associar empresas, entidades e pessoas físicas.
Se preferir, acesse nosso site e na opção “SEJA UM ASSOCIADO/ASSOCIE-SE” para solicitar sua associação.
Parte do conselho e da diretoria do IRELGOV: Gabriel Di Blasi, conselheiro; Eriça Tominaru, diretora jurídica; Bruno Perman, presidente;
Erik Camarano, conselheiro e ex-presidente; Kelly Aguilar, conselheira e ex-presidente; Guilherme Athia, primeiro presidente do IRELGOV;
Suelma Rosa; vice-presidente e Juliana Celuppi, diretora de relações institucionais
EDUCAÇÃO
Intercâmbio e aprendizado
de técnicas, estratégias
e fundamentos.
REPUTAÇÃO
Valorizar a profissão de Relações
Governamentais por meio do diálogo com os
legítimos interesses da sociedade e do governo
Associados doAssociados do
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Associados doAssociados do
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Associados do IRELGOV
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Pável Pereira Batista Rêgo -
Assessor de Relações Institucionais
e Sustentabilidade
Cynthia Prochnow Zottarelli -
Assessora de Relações Institucionais
e Sustentabilidade
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de Relações Públicas
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Gustavo de Assis Carneiro - Sócio-Diretor
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Vieira - Sócio-Gestor
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Juliano Griebeler - Diretor
Verônica Prates - Consultora
Rebeca Lucena - Consultora
Rodrigo Almeida - Sócio
Giselle Coelho - Consultora
Leon Norking Rangel - Consultor
Victor Hugo Brandão - Consultor
BNZ
Everton Gabriel Monezzi - Sócio-Diretor
José Amado de Faria Souza -
Advogado e Sócio-Diretor
José Ricardo dos Santos Luz Jr -
Sócio-Gerente Institucional
Tony Ferreira de Carvalho Issaac
Chalita - Sócio-Coordenador
CCA ADVOGADOS ASSOCIADOS
Maurício de Albuquerque
Wanderley - Advogado
DI BLASI, PARENTE &
ADVOGADOS ASSOCIADOS
Eriça Tomimaru - Advogada Associada
Gabriel Di Blasi - Sócio-Gerente
Raquel Fernandes Batista
Araujo -Diretora de Relações
Governamentais e Institucionais
DISTRITO RELAÇÕES
GOVERNAMENTAIS
Publio Sejano Madruga - Diretor
Danilo Gennari de Souza - Diretor
ESPM
Rodrigo Ulhôa Cintra de Araújo -
Diretor de Relações Internacionais
Denilde Oliveira Holzhacker - Professora
GE
Daniel Carvalho de Mendonça -
Diretor de Relações Governamentais
e Políticas Públicas
IBUREAU
Roberta Moreno Cirilo de Almeida
Staniscia - Sócia-fundadora
Camila de Souza Salvatore - Coord. de
Relações Institucionais e Governamentais
Yohana Wihby Ventura - Analista
ICC BRASIL
Gabriella Dorlhiac- Coordenadora
de Políticas Públicas
Leonardo Carmignani Barbosa
- Analista de Policy
Karim Cristina Aguilar -
Assessora Executiva
INTELIGOV
Raphael Cappuci Maia Negrão
Caldas - Sócio-Diretor
Diogo Ferraz Jodar - Customer
Success Agent
Aline Silva Pereira - Agente de
Desenvolvimento de Novos Negócios
Igor Henrique Ferreira Santos -
Customer Success Agent
JEFFREY GROUP BRASIL
Fernando Henrique Carneiro
Teixeirense - Diretor de Grupo
Alexandre de Souza Mota -
Executivo de Contas Sênior
Leonardo Martins de Araújo -
Diretor de Atendimento
M. J. ALVES E BURLE
Fernanda de Albuquerque
Maranhão Burle - Sócia
Marcos Joaquim Gonçalves Alves - Sócio
Leandro Modesto Coimbra - Sócio
MATCHMAKING BRAZIL
Bernhard J. Smid - Diretor
MATTOS FILHO ADVOGADOS
Gustavo Vieira de Sousa - Assistente
de Serviços Jurídicos
MSD
Kelly Cristiane Aguilar - Especialista
Sênior de Relações Governamentais
Guilherme Pasetto Leser - Diretor de
EMPRESAS
Relações Governamentais e Comunicação
Kleber Santos -Gerente de
Relações Institucionais
NOVO NORDISK BRASIL
Simone W. Tcherniakovsky
- Diretora de MAPAC
Peterson Batista Cruz - Gerente
de Relações Governamentais
PATRI
Eduardo Carlos Ricardo - CEO
Michel Neil Trindade
Francisco - Sócio-Diretor
Catarina Corrêa Vonsperling -Sócia
RADAR GOVERNAMENTAL /
CELUPPI ADVOGADOS
Juliana Celuppi - Sócia-Diretora
Jonas Del Nobile – Sócio
Dayanne Cavalcanti – Sócia
Alison Cassis - CTO
Manuella Faria Bianchine
-Advogada Regional
SANOFI -MEDLEY
Mauricio Mendonça -Diretor
de Assuntos Públicos
Guilherme Freire - Diretor de
Relações Governamentais
Lais Dantas Leoni - Diretora de
Saúde Pública - Sanofi Pasteur
Isabela Rehem Vargas - Diretora
de Relações Governamentais
SCANIA
Gustavo Rodrigo Bonini - Diretor de
Assuntos Institucionais e Governamentais
Mauricio Adriano Niel - Analista de Governo
SIGALEI
Ivan Ervolino - Diretor de Vendas
Danilo Amaral de Oliveira
- Diretor Executivo
Brina Deponte Leveguen -
Analista de Novos Negócios
Frederico Amaral de Oliveira
- Diretor de Operações
Felipe Scuracchio Maragno
Molina - Gerente de Contas
SPC BRASIL
André Luiz Pellizzaro - Gestor de
Relações Institucionais e Governamentais
Bianca Paula Robles - Analista de Relações
Institucionais e Governamentais
Karoline Lima dos Santos Pereira - Analista
de Relações Institucionais e Governamentais
Nayara Duarte Gonçalves - Assistente de
Relações Institucionais e Governamentais
4
< >
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
Associados doAssociados do
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8 9
10
1 2 3 5 6 7E S
PROFISSIONAIS
ALBERTO DO AMARAL
OSORIO BUENO - Concordia
Public Affairs Strategies
ALESSANDRA MARTINS GUALBERTO
RIBEIRO - Tauil Chequer Advogados
Associado a Mayer Brown
ALESSANDRA ROMANO
GRANGEIRO - Companhia
Siderúrgica do Pecém - CSP
ALEXANDRE AMISSI GARCIA
SILVEIRA - Dow Química
ANA CAROLINA LACERDA
TIMPONI - ABIVIDRO - Associação
Brasileira das Indústrias de Vidro
ANA LAURA DINIZ DE SOUZA - JOTA
ANALU CORDEIRO DOS
SANTOS - Cargill
ANDRÉ COELHO MENDONÇA
ELER - Bites
ANDRÉ MACEDO DE OLIVEIRA
- Faculdade de Direito da
UnB /BMA advogados
ANDRÉA CRISTINA OLIVEIRA
GOZETTO - Docente da FGV /
Gozetto & Associados
ANDREA FABRINO HOFFMANN
FORMIGA - Perman
Advogados Associados
ANDRÉA MARIA MEIRELLES DE
MENEZES - Sociedade Amigos
da Barra do Sahy - SABS
ANDREA VERISSIMO LOPES DE
ALMEIDA - Avelã Public Affairs
ANDRIEI GUTIERREZ - IBM Brasil
ANGELA TAVARES REHEM DE
AZEVEDO - Libertas Consultoria
ANNA PAULA DE CARVALHO LOSI DE
OLIVEIRA - AIPC - Associação Nac.
da Indústria Processadora de Cacau
ANSELMO AKIRA TAKAKI - Unilever
ANTÔNIO (NEWTON GALVÃO)
CESAR JR. - Fresenius-Kabi
ARMANDO DE QUEIROZ
MONTEIRO BISNETO - Mattos
Engelberg Advogados
SUZANO PAPEL E CELULOSE
Pablo Machado - Diretor Executivo
- Relações e Gestão Legal
Mariana Lisboa - Gerante Executiva
de Relações Corporativas
Lys Piovezan Tardin - Analista
de Relações Corporativas
TOZZINIFREIRE ADVOGADOS
Claudio Coelho de Souza Timm - Sócio
TRENCH, ROSSI E WATANABE
ADVOGADOS
Mauricio Caixeta Novaes - CEO
Henrique Kruger Frizzo - Sócio
Heloisa Barroso Uelze - Sócio
VECTOR RELAÇÕES
GOVERNAMENTAIS & INSTITUCIONAIS
Jean Carlo de Castro - Diretor
André Atadeu Moreira - Consultor
Irlon Ferreira da Silva Júnior - Consultor
Letícia Linhares e Silva - Consultora
Mariana Santos de Castro - Consultora
VOLKSWAGEN DO BRASIL
Antônio Megale - Diretor
Assuntos Governamentais
Glória Merendi - Gerente de
Relações Governamentais
WALD, ANTUNES, VITA, LONGO
E BLATTNER ADVOGADOS
Arnoldo Wald Filho - Sócio Fundador
Mariana Tavares Antunes - Sócia-Gestora
Samantha Mendes Longo - Sócia-Gestora
Marcus Vinicius Vita Ferreira - Sócio-Gestor
DIOGO WAKIZAKA - Becomex Consulting
EDGARD NOVUCHY PEREIRA USUY
- Integra Inteligência Política
EDUARDO ARAUJO RAMOS
- AR Consultoria
EDUARDO RIBEIRO GALVÃO
- Pensar RelGov
EDUARDO SARAIVA CALDERARI -
Roche Produtos Farmaceuticos
EGON LUÍS SCHADEN JÚNIOR -
ELIANE SILVEIRA LAPA - Alelo
ELISA CRISTINA FERRERO
KLABUNDE - Agência TUTU
EMANOEL TAVARES COSTA
JUNIOR - Rumo Logística
ERIK SASDELLI CAMARANO -
BioMarin Brasil Farmacêutica
EVERSON RICARDO ARRAES
MENDES - AMAE - Arraes Mendes
Advocacia Empresarial
FABIANA AGUIAR LIMA - Alelo S/A
FABIANE CUNHA LAZZARESCHI
- Atvos Agroindustrial
FABIANO BOLCATO RANGEL
- Leão Alimentos
FÁBIO A. RIBEIRO DE LIMA RUA - IBM
FABIOLA HELENA FARIAS MATHIAS
DE TARSO - Governo do Estado
de SP - Fundo Social SP
FERNANDO BENJAMIM BUENO -
Demarest & Almeida Advogados
FERNANDO RABELO RIBEIRO
- Fundação Brava
FLÁVIO HENRIQUE GOMES DE
SOUZA - Laboratorios Pfizer
FLÁVIO MOURA FÉ LIMA - Faith
Relações Institucionais e Compliance
FREDERICO DA SILVEIRA BARBOSA
- Barbosa, Pontes e Gaertner
Advogados | FIPECAFI
GABRIEL COSTA PINHEIRO CHAGAS -
Comparini e Pinheiro Chagas Advogados
GABRIELA CUNHA DE MELO
CAVALCANTI - Câmara
Municipal do Recife
GRAZIELLE TALLIA PARENTI - BRF
GIOVANI TRINDADE CASTANHEIRAF.
MENICUCCI - BMA Advogados
BARBARA THAYS ARRIZZI
BORTOLIN - Prumo Logística
BEATRIZ DIB NAMI - Estudante
BEATRIZ SILVA DE BARROS
FREIRE - ABRACE
BERNARDO MENDES DE OLIVEIRA E
SILVA - ThinkBrasil Business Advisors
BIANCA SADKOWSKI
DALSTON - Rosneft
BRUNO PERMAN FERNANDES -
Perman Advogados Associados
CARLOS EDUARDO CABRAL DE LIMA -
Instituto Brasileiro da Cachaça - IBRAC
CARLOS HENRIQUE
PARENTE DE BARROS
CÁTILO BRZERSKI CÂNDIDO -
Abralatas - Associação Brasileira de
Produtores de Latas de Alumínio
CIBELE LEITE PERILLO
FERREIRA - Raízen
CIBELE MARQUES SANTIAGO DE
OLIVEIRA - Alesp - Assembleia
Legislativa do Estado de São Paulo
CINTHIA BATTILANI GIANTOMASSI
MEDEIROS - Nike do Brasil
CLARICE MOSELE - InvestSP -
Secretaria de Turismo do Estado de SP
CLEUBER LUIZ SOBRINHO - Abrinter
- Associação Interbrasileira
de Investidores em Energias
e Recursos Renováveis
CREOMAR LIMA CARVALHO DE
SOUZA - Fundação Dom Cabral/
Dharma Political Risk and Strategy
DANIEL CARVALHO DE MENDONÇA
- General Eletric do Brasil - GE
DANIEL MOURAD MAJZOUB
- HMP Attorneys
DELILE GUERRA DE MACÊDO
JUNIOR - Sindipeças/Abipeças
DEMETRIUS FERREIRA E
CRUZ - Seguradora Líder
DIEGO LUIZ GOMIDE COSTA - Agro
Relações Governamentais
DIEGO ZANCAN BONOMO - CNI -
Confederação Nacional da Indústria
DIOGO FRIZZO DE MEDEIROS
- MHB Advogados
4
< >
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
Associados doAssociados do
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8 9
10
1 2 3 5 6 7E S
GUILHERME ARTUR GASEL MARTINS
- Câmara Municipal de Goiânia
GUILHERME ATHIA - Atlântico Europe
GUILHERME CANIELO DE ARAÚJO -
Abralatas - Associação Brasileira de
Produtores de Lata de Alumínio
GUSTAVO JOSE MIANO BONORA
BISCASSI - Steptoe Johnson LLP
GUSTAVO MARTINELLI GAZOTTO -
HELGA PAULA FRANCO
MEUSER - Nestlé
ISABELA FERNANDA
MENDES - GRI Club
ISABELLA MARTINS DO
CARMO ISA CTEEP
JOÃO MARQUES DA FONSECA NETO -
EMDOC Serviços Especializados Ltda
JOÃO PAULO ORSINI MARTINELLI
- Florêncio Filho e Camargo
Aranha Advogados
JORGE HENRIQUE SILVA
LIMA - Kimberly-Clark
JOSÉ FERNANDO LATORRE
FILHO - Latorre Advogados
JOSÉ GABRIEL ASSIS DE ALMEIDA -
J G Assis de Almeida & Associados
JOSÉ LUIZ PIMENTA JUNIOR
- Amcham Brasil
JUAN CARLOS THOMPSON - ILAR
- Associação Latino-americana de
Medicamentos isentos de Prescrição
JULIANA AIROSA VILLANO - BASF
JULIANA DOS SANTOS
NORONHA - SBT
JULIANA GIRARDELLI VILELA - Vilela,
Motta & Andrade Advogados
JULIANNA GRANJEIA SILVA
- Assessora Parlamentar
JULIO DE SOUZA COMPARINI
- Comparini e Pinheiro
Chagas Advogados
KARLA CHRISTINA MARTINS
BORGES FURLANETO - BFSA - Borges
Furlaneto Sociedade de Advogados
KELLY CRISTIANE AGUILAR
- MSD Brasil - Merck Sharp
Dohme Farmaceutica Ltda
LEONARDO HIDALGO RACY -
Tribunal de Justiça de São Paulo
LUCAS PARREIRA LORINI - Consulado
Geral Britânico em São Paulo
LUCIANO INÁCIO DE SOUZA - Cescon,
Barrieu, Flesch & Barreto Advogados
LUCIANO PEDREGAL DE CASTRO
LIMA - Sindipeças/Abipeças
LUCIEN BERNARD MULDER
BELMONTE - Abividro - Associação
Brasileira das Indústrias de Vidro
LUIZ FERNANDO VISCONTI - Visconti
Law - Legal & Public Affairs
MANOEL FERNANDES
MACEDO JR - Bites
RENATA DE PAIVA PUZZILLI
COMIN - FGV/EAESP
RENATO BORDINI MEGDA - Heineken
RICARDO DE SABOYA ROCHA
MIRANDA - Ocesp / Sescoopsp
RICARDO WAHRENDORFF
CALDAS - IEL
ROBERTA SAYURI KURUZY -
Kuruzu, Maróstica Advogados
ROBERTO BRAGA DE
ANDRADE - Braga de Andrade
Advocacia Empresarial
ROBERTO CARLOS DE ALMEIDA
ROBERTO CARSALADE QUEIROGA -
M & Queiroga Relações Institucionais
RODRIGO FERREIRA VICENTE - CAIXA
RODRIGO MELO MESQUITA -
Rodrigo Mesquita Advocacia
RODRIGO NAVARRO DE
ANDRADE - FGV/Abramat -
Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção
ROSILDA SANTOS RACHADEL
PRATES - Hexa Brasil
RUTH BATISTA CRUZ
QUEVEDO - Cielo SA
SAMIR ANDRÉ FERREIRA PIRES -
Smart Modular Technologies
SAMUEL DA SILVA LEMOS
- Kinross Mineração
SÉRGIO AUGUSTO CAVALHEIRO
FERREIRA - Mani Holdings
SÉRGIO OLIVEIRA VILALVA RIBEIRO
- Prefeitura Municipal de Salvador
SHIRLEY EMERICK DUTRA - Braskem
SILENE TOGNOLI GALATI
MONETA - Nike
SILVIA DE TOLEDO
FAGNANI - ThinkBrasil
SILVIA FERRARI ABUD -
Prefeitura de SP
SUELMA ROSA DOS SANTOS
- Dow Química
TACYRA OLIVEIRA VALOIS
NERY - ABBOTT
TAIS MENDES - Grupo Uol/PagSeguro
TATIANA SIQUEIRA NOGUEIRA -
Sanofi Medley Ind. Farmacêutica
THAIS MARÇAL RODRIGUES
MATIAS - Grupo Globo
VALERIA CORA ROSSI - ExxonMobil
VALERIA MANDIA CAFE - IBGC
VANDER ALOÍSIO
GIORDANO - Multiplan
VANESSA DORATIOTO
DAMO - Estudante
WAGNER AUGUSTO DE GODOY
MACIEL - Godoy Maciel
Advocacia e Consultoria
WILLIAN TADEU GIL -
Sodexo Pass do Brasil
MARCELE BERTONI ADAMES -
Adames Cezimbra Advogados
MARCELO TOREZAN - Vertex
Farmacêutica do Brasil ltda
MÁRCIA REGINA MOSCATELLI -
Ultragenyx Brasil Farmacêutica Ltda
MÁRCIO RAFAEL MARQUES BARBOSA
MACIEL - Abert - Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio TV
MARIA IZABEL COLLOR DE
MELLO - Agência TUTU
MARIANA GUIMARÃES
BORBOREMA BRAGA -
MARIANA LESSA DE ALMEIDA
LA POENTE - UERJ
MARIANA SANTOS DE
CASTRO - Vector Relações
Governamentais e Institucionais
MARILIA RANGEL RIBAS MARTINS
CAMPOS - MSD Saúde Animal
MARINA BERTUCCI FERREIRA
- Pinheiro Neto Advogados
MÁRIO FERREIRA CAMPOS FILHO -
Siamig - Associação das Indústrias
Sucroenergéticas de MG
MARIO SERGIO RAMALHO
- RM CONSULT
MARTUS ANTÔNIO R.
TAVARES - Bunge Brasil
MICHELLE MAXIMIANO MARTINS
- LongPing High Tech
MILENA MARTINS OLIVEIRA -
CCA Advogados Associados
MIRNA LARISSA WACHHOLZ CABRAL
- Ministério da Agricultura e Pecuária
MOACIR C. FURTADO JUNIOR
NADIA ALI EL HAGE -
Unichem Farmacêutica
OTHAVIO PAULINO DA COSTA PARISI
- Autopass S/A - Mobilidade Urbana
PABLO MACHADO - Suzano S.A.
PATRÍCIA MARTIGNONI BLANCO
BELMONTE - Palavra Aberta
PAULO EDUARDO DE CAMPANTE
SANTOS - CropLife Brasil
PAULO GONÇALVES HOMEM - Raízen
PAULO MASSI DALLARI - 99 App
PEDRO AVELLAR VILLAS-
BÔAS - MJ Alves e Burle
Advogados e Consultores
PIERO MONTEIRO SIAL - Mesquita,
Verçosa e Monteiro Sial Advocacia
RAFAEL BERNARDI SILVA - Bernardi,
Koch, Ferrario & Aguiar Advogados
RAFAEL FREITAS MACHADO -
Machado, Leite & Bueno Advogados
RAUL CURY NETO - VITTORE Partners
REBECA DE SOUZA LEÃO
ALBUQUERQUE - Navarro
Prado Advogados
RENARD P. ARON - Consultor
Independente
4
< >
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
17
8 9
10
1 2 3 4 6 7E S 5
Até agora, ‘corte na carne’
aconteceu apenas em São Paulo
Em sessão realizada no dia 24 de abril, os
vereadores de São Paulo aprovaram projeto de reso-
lução que autorizou o corte de 30% em seus próprios
salários e de outros 30% nas verbas de gabinete. A
medida, promulgada no mesmo dia, passou a valer em
1
o
de maio e deve prevalecer até o final de dezembro
- 53 vereadores votaram a favor da proposta apre-
sentada pela Mesa Diretora da Câmara e nenhum,
contra. Com a redução, a economia será de R$ 8 mi-
lhões repassados para a Saúde. Propostas de ‘cortes
na própria carne’ surgiram em outras Casas Legisla-
tivas da federação, inclusive no Congresso Nacional.
Segundo a ferramenta Tracking, desenvol-
vida pelo JOTA, desde o início de março tramitam
na Câmara e no Senado pelo menos 17 projetos de
lei, decreto legislativo ou resolução com o objetivo
de reduzir os subsídios de parlamentares, agentes
públicos ou impedir o reajuste dos salários de servi-
dores públicos. Até agora, no entanto, nenhum foi
adiante. Em Vitória, capital do Espírito Santo, um
projeto de lei de autoria do vereador Roberto Mar-
tins (REDE) foi arquivado durante sessão ordinária
da Câmara Munipal. Os integrantes da Comissão de
Justiça da Casa decidiram pela inadmissibilidade da
proposta, argumentando que a maioria dos verea-
dores da comissão de finanças se recusou a assinar
o projeto. Por outro lado, a Câmara Municipal de Vi-
tória aprovou a redução do número de assessores e
de verba de gabinete.
Em alguns legislativos municipais, houve
aumento de valores. Em Porto Alegre, por exem-
plo, o teto salarial de servidores públicos subiu de
R$ 19,4 mil para R$ 35,4 mil. Em Palmas, a Câmara
aprovou reajuste salarial dos servidores de 4,48%.
Pelo plenário virtual, vereadores de São Paulo
cortaram 30% de seus próprios salários até dezembro
Política
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DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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1 2 3 4 5 7E S 6
Entrevista
Secretário-geral da Mesa Diretora do Se-
nado, o pernambucano Luiz Fernando Bandeira de
Mello, 40 anos, garantiu à Diálogos IRelGov que o
Sistema de Deliberação Remota (SDR) implemen-
tado na Casa não substituirá as discussões e de-
bates entre parlamentares. A tecnologia, reforça,
é apenas uma alternativa para tempos de guerra,
colapsos no sistema de transporte ou pandemias.
Bandeira de Mello admitiu, entretanto, que as vide-
oconferências podem ser opção ecientes para as
comissões permanentes, como a Comissão de As-
suntos Econômicos (CAE) ou a Comissão de Saúde.
Nesta entrevista, o servidor do Senado e
cargo-chave para a operação do parlamento, fala
sobre a concepção, implantação e melhorias feitas
no SDR quase três meses após a primeira sessão
remota, no dia 20 de março, e defende as discus-
sões parlamentares como parte essencial do fun-
cionamento legislativo e, consequentemente, para
a democracia. A seguir, os principais trechos da
nossa conversa:
DIÁLOGOS IRELGOV – Quais lições o senhor tirou
da crise causada pela pandemia da COVID-19 no
universo dos trabalhos legislativos?
Vou res-
ponder com uma frase que virou refrão da nossa
equipe: em tempos de crise o parlamento não pode
parar. Num momento de pandemia, de diculdades
como o Brasil está vivendo tanto no plano sanitá-
“O SDR não foi feito para substituir o
plenário”, afirma Bandeira de Mello
Foto: Edilson Rodrigues, Agência Senado
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DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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8 9
10
1 2 3 4 5 7E S
Entrevista
rio quanto no plano político, imagine como seria
mais difícil se o parlamento não estivesse funcio-
nando, se não fosse possível votar Medidas Provi-
sórias, se todas tivessem caindo por falta de prazo,
se não fosse possível alterar o orçamento, se não
fosse possível alterar a LRF [Lei de Responsabilida-
de Fiscal], se não fosse possível alterar uma série
de coisas e o país tivesse de
ser regido por Medidas Pro-
visórias e Decretos? No mo-
mento que você viabiliza o
funcionamento parlamentar
durante uma pandemia, você
assegura a própria democra-
cia. O funcionamento normal
do Parlamento, juntamente
com as eleições periódicas
e universais, são os dois ele-
mentos mais essenciais, mais
visíveis, mais evidentes de
uma democracia. Sem dúvi-
da, a lição que eu tiro é que
a tecnologia é um instrumento para a essência do
debate parlamentar. A Casa em si funciona de um
jeito diferente, mas ela continua sendo a expressão
da vontade dos senadores.
DI – A tecnologia tem mantido o Senado funcio-
nando, mas sem discussões aprofundadas. Isso
pode ser melhorado?
 Na minha opinião, o SDR
já permite bastante discussão. Ele não foi feito para
substituir o plenário. A ideia não é substituir as dis-
cussões presenciais. Isso é uma coisa transitória,
criada para funcionamento
em pandemias, em guerras,
em colapsos do sistema de
transporte, esse tipo de situ-
ação – mas não há a intenção
de substituir a discussão par-
lamentar. Continuo achando
que o contato direto e pessoal
entre os parlamentares numa
sessão é essencial. Agora,
admitindo que no momento
esse contato é impossível, eu
acredito sim que o SDR per-
mite a discussão. E tanto é as-
sim que nós tivemos diversas
votações com debates, com destaques, votações
que mudaram, inclusive, de sentido ao longo da
sessão. Tivemos votação de destaques da minoria
que foram aprovados, o que mostra, portanto, que
No momento que você
viabiliza o funcionamento
parlamentar durante uma
pandemia, você assegura a própria
democracia. O funcionamento
normal do Parlamento,
juntamente com as eleições
periódicas e universais são os
dois elementos mais essenciais,
mais visíveis, mais evidentes
de uma democracia.
Segundo o Secretário-Geral da
Mesa, as votações presenciais
voltarão a acontecer
Foto: Roque de Sá, Agência Senado
6
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DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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8 9
10
1 2 3 4 5 7E S
Entrevista
apesar da discussão ser um pouco mais limitada, os
senadores sabem o que estão votando, conseguem
formar acordo e entendimentos, e aquilo que no
mérito é impossível de conciliar resolve-se no voto.
É muito importante destacar que o quórum nas ses-
sões remotas tem sido mais elevado do que o quó-
rum das votações presenciais. Temos trabalhado
hoje com uma média de 78, 79 votos. Em algumas
sessões já tivemos 81, contra uma média presencial
de 65 votos, 70 votos por sessão. Sem dúvida, me
parece que o sistema permite sim uma participação
e a melhor demonstração disso são os quóruns das
votações e o número de destaques e consensos que
vêm sendo formados muito pela ação, também, dos
relatores da matéria.
DI – Qual o legado deste sistema?
Eu acredito que o SDR só
deva ser usado na sua parte de deliberação para
sessões em período de pandemia, de guerra, de co-
lapso de transporte, de emergência sanitária, etc.
Porém, me parece que a parte de videoconferência
vai ser muito útil para as audiências públicas de co-
missão. Antigamente, se você quisesse ouvir um ex-
pert em algum assunto, por exemplo, na comissão
de saúde ou na CAE [Comissão de Assuntos Econô-
micos], você queria ouvir um economista e ele esti-
vesse em Paris, Berlim, ou Nova York ou São Paulo,
você antes teria que conseguir agenda, ele teria que
pegar um avião, vir a Brasília, talvez perder um ou
dois dias, dependendo de onde ele viesse. Isso não
só representa um ônus como uma diculdade que
envolve locomoção e agenda. Na medida em que
eu posso usar as conexões remotas, por videocon-
ferência, para colocar um especialista no telão de
uma comissão, eu barateio a operação parlamentar,
simplico e ganho eciência. Eu acredito que a par-
te de videoconferência do SDR certamente será um
legado que usaremos nas comissões. Mas acredito,
que na votação não. A votação, realmente, ca res-
trita a tempos fora da normalidade.
DI – O SDR rendeu reconhecimento internacional
ao Senado Federal. Como foi possível colocá-lo
em funcionamento tão rápido?
    O Senado já vinha num
processo importante de digitalização. O Brasil tem
um dos parlamentos mais digitalizados do mundo
Luiz Fernando Bandeira
de Mello acompanhando
sessão ao lado do
presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Foto: Agência Senado
6
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DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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8 9
10
1 2 3 4 5 7E S
Entrevista
e isso já é reconhecido há anos, o que evidente-
mente simplica na hora de dar um passo a mais.
Um parlamento mais tradicional, como da Inglater-
ra ou do Canadá por exemplo, tem evidentemente
uma barreira maior a vencer. Nossa estratégia foi
traçada a partir do dia 13 de março, uma sexta-
-feira. Em sete dias corridos conseguimos fazer a
primeira sessão remota, mas sem o aplicativo para
votação. Nesta primeira sessão, o voto foi cantado
pelo vídeo. Então, o que zemos ali foi uma con-
cepção de como realizar uma sessão por videocon-
ferência segura e na segunda-feira seguinte, já tí-
nhamos o aplicativo de votação.
DI – No acompanhamento das
votações foi detectada alguma
falha no sistema?
 O siste-
ma é composto de quatro partes.
Uma parte de videoconferência,
que é fornecida por uma empresa
privada americana, a Zoom, outra
parte é desenvolvida pelo Proda-
sen, que é o sistema de protocolo,
recebimento de emendas, parece-
res, projetos, 100% remoto. Ou-
tra, é a estrutura normativa, o savoir-faire, a gestão
operacional de equipes, boa parte contida no ma-
nual dessas tecnologias. E, nalmente, uma quarta
parte que é um aplicativo de votação por qualquer
celular previamente cadastrado. Nossa preocupa-
ção era que essa votação remota fosse segura. Ti-
vemos uma única falha. A operadora de telefonia
celular estava demorando a enviar as mensagens de
SMS, que garantiam uma dupla camada de seguran-
ça, ou dupla autenticação. E isso gerou um atraso
indesejável na votação. Acredito que não podemos
dizer que houve nenhuma falha no sistema, quando,
evidentemente, os senadores têm boas conexões de
internet. Mas aí não é um problema do sistema, é um
problema de infraestrutura da internet brasileira.
DI – O Senado tem parlamentares de diferentes
faixas-etárias. Como a Secretaria-Geral tem atu-
      
surgir na forma dos senadores usarem o sistema?
    Na verdade, nós temos
um problema não só de faixa etária mas também
de conectividade no Brasil. Organizamos uma série
de medidas implantadas naqueles primeiros sete
dias: montamos um help desk para os senadores,
para eles ou seus assessores ligarem ou tirarem dú-
vidas, dando instruções de como logar no sistema;
criamos um vídeo tutorial mostrando aos senadores
como votar, disponível no hotsite;
adicionamos ao sistema também
um telefone 0800 para que caso
o senador, por exemplo, esteja
numa fazenda, sem sinal de inter-
net, mas tem uma linha telefônica
convencional, consiga entrar com
voz na sessão, falar, defender suas
ideias e ainda votar por telefone.
Na hora, um membro da mesa irá
registrar o voto no sistema dian-
te das câmeras. Então, uma série
de preocupações para permitir
tanto o uso por senadores com
uma tradição mais analógica quanto senadores que,
eventualmente, estejam em localidades com baixa
conectividade à internet.
DI – Qual tem sido o feedback dos parlamentares?
A primeira reação dos par-
lamentares foi um certo alumbramento, caram
impressionados como a sessão se deu de forma
tão inovadora e tão rápida. Na sequência, surgiu
um questionamento, porque alguns parlamentares
que não eram líderes acharam que estavam com di-
culdade para poder colocar suas posições e suas
opiniões de forma habitual, ou seja, eles estavam
falando depois que a matéria era votada e ainda
por cima não tinham condições de falar sobre um
Na medida em
que eu posso usar
as conexões remotas,
por videoconferência,
para colocar um
especialista no telão
de uma comissão,
eu barateio a operação
parlamentar, simplifico
e ganho eficiência.
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Entrevista
assunto dissociado daquela votação. Isso gerou um
pouco de crítica, que já foi resolvido. Criou-se um
espaço para vídeos gravados de até cinco minutos
na TV Senado, antes da sessão. Durante a sessão, in-
dependentemente da matéria que
estão votando, damos a palavra a
dez senadores para discuti-la e as-
sim conseguimos equilibrar um di-
reito natural à discussão, ao deba-
te das proposições, mas também
não prolongar demais as sessões
remotas que são mais cansativas e
precisam ser mais curtas.
DI - Já havia a intenção de adotar
o SDR há muito tempo?
    O ras-
cunho do SDR surgiu durante a paralisação dos ca-
minhoneiros, ainda no governo Temer. Na ocasião,
tivemos alguns problemas de fornecimento de
combustível, inclusive querosene de aviação, e voos
foram cancelados. Ali começamos a rascunhar o que
poderia ser uma votação remota, mas naquele mo-
mento imaginando um senador ou dois ou três que
não pudessem chegar a Brasília, não uma solução
para 100% do Senado. Não chegamos a escrever ne-
nhuma linha de programação porque a greve foi de-
belada e o fornecimento de com-
bustível voltou ao normal. Aquele
projeto foi engavetado porque
não era prioridade, e outras coisas
foram sendo desenvolvidas.
DI – Qual o investimento feito
para implantação do sistema?
  O SDR,
apesar de ser vistoso e parecer
muito sosticado e caro, foi ba-
rato. O Senado gastou 200 dó-
lares por mês com a assinatura
corporativa do sistema de videoconferência e 200
mil reais para o desenvolvimento do software que
permitiria a votação pelo celular. Então, valores
bastante abaixo do que seria o ônus para o Brasil
se o parlamento não estivesse funcionando nesse
momento de pandemia.
O SDR, apesar
de ser vistoso e parecer
muito sofisticado e caro,
foi barato. (...) valores
bastante abaixo do que
seria o ônus para o Brasil
se o parlamento não
estivesse funcionando
nesse momento
de pandemia.
Plenário virtual: de onde
o presidente do Senado
conduz as sessões
Foto: Waldemir Barreto, Agência Senado
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Artigo
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Solidariedade
Pouco tempo depois de ser decretada a
quarentena no país, sociedade civil e iniciativa pri-
vada agiram para ajudar no combate à crise do co-
ronavirus. As ações envolveram doação de dinheiro,
construção de hospitais, arrecadação de fundos e
importação de insumos, tudo parte de uma iniciativa
inédita e solidária. Entre as empresas que se engaja-
ram está a Suzano, produtora de papel e celulose de
eucalipto que importou da China 159 respiradores e
1 milhão de máscaras n95. Justamente por ter opera-
ção no país asiático, a empresa acompanhou todas as
consequências da COVID-19 desde o início. Logo em
fevereiro, uma equipe começou a se reunir duas vezes
por semana para traçar um plano de medidas que en-
globava três aspectos: proteção dos colaboradores,
dimensão social (como poderiam ajudar a sociedade
brasileira) e proteção e oportunidade de negócios.
A partir desses encontros foi possível ava-
liar que a demanda interna era por respiradores e
máscaras. A empresa, então, disponibilizou R$ 50
milhões do total de R$ 60 milhões reservados para
a “operação COVID-19” na compra e importação dos
produtos. O outros R$ 10 milhões foram destinados
para o investimento em uma fabricante nacional de
respiradores pulmonares, a Megamed.
Mas o planejamento prévio não evitou
enormes percalços. O processo foi extremamente
complexo, exigindo exibilidade e muita dedicação
da equipe coordenada pelo diretor de Relações e
Gestão Legal da empresa, Pablo Machado. No total,
cerca de 70 colaboradores se envolveram de alguma
forma na ação. A viagem dos equipamentos China-
-Brasil passou por momentos que pareciam tirados
A guerra por máscaras
e respiradores
Após 45 dias de muito trabalho, a Suzano conseguiu trazer para o Brasil material
para salvar vidas. À frente da operação, que envolveu cerca de 70 pessoas, estava o
profissional de relações governamentais Pablo Machado, que nos falou do desafio
Foto: Prostooleh, Freepik
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Solidariedade
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de algum lme: muitas mudanças de planejamento
por causa de imprevistos, reuniões nas madrugadas
e noites mal dormidas. Expôs toda equipe a situações
atípicas e mostrou a relevância do papel do prossio-
nal de relações governamentais na coordenação de
uma ação desta natureza.
ALTA DEMANDA
Já de início Pablo percebeu que as negocia-
ções não se dariam da forma que a empresa estava
acostumada. Como se tratam de equipamentos com
alta demanda, os preços estavam inados e havia
muita competição para adquiri-los. Por quatro ve-
zes a empresa teve o pagamento suspenso, pois os
fabricantes resolviam concluir a venda para outros
interessados. Quando isso acontecia, era necessário
refazer todo o trâmite. “Nós fazíamos parte de ne-
gociações em que disputávamos a mercadoria com
governos dos Estados Unidos, Itália... Uma situação
totalmente inédita”, arma.
Assim que o procedimento foi nalizado, a
equipe passou a se dedicar à logística. No entanto, 48
horas antes do embarque, com um avião já fretado,
uma mudança na regulação de importação da China
colocou em risco todo o esforço. O governo chinês
tinha receio de que a doença voltasse a contaminar
a população, exigindo, portanto, um bom estoque
de respiradores e máscaras. “Era sexta-feira, avião
decolaria na segunda, mas passou a vigorar uma
nova exigência de que todos os itens médicos fos-
sem inspecionados sicamente na aduana. Éramos
pegos de surpresa o tempo todo”, relembra Pablo.
Foi necessário um esquema de guerra. Co-
laboradores da Suzano que trabalham na China dor-
miram no aeroporto para ter certeza de que os itens
seriam examinados a tempo. Com muitas ligações
madrugada adentro e, segundo Pablo, a ajuda fun-
damental do embaixador brasileiro em Pequim, Pau-
lo Estivallet de Mesquita, as caixas puderam embar-
car. Outro ponto bastante sensível na logística era a
situação de calamidade pública, em que os governos
podem reter uma mercadoria que esteja escassa.
Assim, era essencial determinar uma rota que zes-
se uma escala sem riscos. Com uma equipe forma-
da por especialistas em direito internacional, Pablo
descobriu que havia um acordo informal de não con-
sco com os Emirados Árabes. Foi por essa razão que
o avião fretado pela Suzano fez escala em Dubai.
Do início da prospecção à entrega das
máscaras e respiradores passaram-se 45 dias. A
distribuição foi toda coordenada pela equipe de
relações governamentais que, com transparência,
conversou o tempo todo com o governo federal e
governos estaduais. Houve também a participação
de um conselho de prossionais da saúde, que ava-
liavam a ecácia dos itens importados. Sem contar
os três prossionais na China e as equipes das áreas
comercial, logística, comunicação e jurídica, que se
envolveram em momentos distintos na importação.
O profissional de relações
governamentais é o que está melhor
posicionado para operacionar
processos como esse.
Pablo Machado
Diretor de Relações e Gestão Legal da Suzano
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Passado o intenso trabalho, as noites mal
dormidas e as revisões de plano, o saldo é extre-
mamente positivo. Segundo Pablo, uma das lições
que permanecem é a de ter contribuído para um
momento particularmente difícil para o país. Ele
também destaca como grande aprendizado a forma
como a companhia lidou com a crise. “Muitas empre-
sas entram no modo sobrevivência. É preciso man-
ter o olho no negócio, mas também olhar além”. Foi
uma experiência enriquecedora agir em um cenário
de crise. O prossional de relações governamentais
é o que está melhor posicionado para operacionali-
zar processos como esse.
Era 9h05 da manhã quando o avião que tra-
zia respiradores e máscaras da China pousou no ae-
roporto de Cumbica, em Guarulhos. Lá, uma equipe
do Ministério da Saúde já estava a postos para levar
20 ventiladores pulmonares e 90 mil máscaras, que
foram doados para alguns municípios. O restante
foi distribuído pela própria Suzano para cidades
mais necessitadas. O estado do Mato Grosso, por
exemplo, cou com 15 respiradores que atenderão
a rede de saúde da capital e o município de Três La-
goas. Já 80 mil máscaras foram distribuídas para a
capital além de Água Clara, Aparecida do Taboado,
Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita, Selvíria
e Três Lagoas.
Outro estado que recebeu as doações foi
o Espírito Santo. Uma carga de 30 respiradores e
80 mil máscaras foi para a rede de saúde de Vitória,
municípios da grande Vitória e regiões norte e sul
do estado, como Serra, Aracruz, São Mateus, Cacho-
eiro de Itapemirim, Conceição da Barra, Pedro Ca-
nário e Montanha, Pinheiros e Vila Valério. Em São
Paulo caram 260 mil máscaras e 50 respiradores.
Os critérios para escolher dos estados e municí-
pios que receberiam os equipamentos levaram em
consideração a necessidade de cada local e regiões
onde a companhia atua.
Mas o envolvimento da Suzano no combate
à COVID-19 não terminou com a entrega das másca-
ras e dos respiradores. A companhia está apoiando
costureiras e artesãos na confecção de máscaras de
tecido para serem doados a 55 mil pessoas, como
colaboradores e familiares, caminhoneiros e inte-
grantes de projetos sociais apoiados pela empre-
sa. Além disso, está investindo na construção do
Hospital de Campanha no município de Teixeira de
Freitas (BA) e estabeleceu uma parceria com a Fatec
de Capão Bonito (SP) para a produção de álcool gel.
O projeto de assistência durante a pandemia englo-
ba também um programa social de apoio a peque-
nos agricultores para vender seus produtos por de-
livery em 38 comunidades de cinco estados.
Para driblar
o risco de
confisco, a
mercadoria
fez rota por
Dubai. Ao
todo, somando
as equipes
do exterior,
logística e
transporte,
foram 70
pessoas
envolvidas
na ação que
trouxe para
o Brasil os
respiradores
e máscaras
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Solidariedade
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A história narrada por Pablo Machado,
diretor de Relações e Gestão Legal da Suzano, é
um exemplo das milhares de ações com o mesmo
caráter colocadas em prática por pessoas e empre-
sas de diferentes portes e em diferentes cantos
do Brasil. Não é exagero dizer que a guerra contra
o novo coronavírus é a luta mais importante que
vivemos na história mundial recente. Daí, mais do
que nunca, a importância de que cada um se obri-
gue a assumir a responsabilidade por outro ser
humano - o conceito básico de so-li-da-ri-e-da-de.
Vem do sentimento e da ação prática
desta palavra enorme a proposta lançada entre os
associados e associadas do IRelGov para a divulga-
ção das ações desenvolvidas por cada um. Demos
a este projeto o nome de SOLIDARIZA IRelGov. “O
objetivo principal do SOLIDARIZA é sensibilizar os
prossionais e promover uma corrente do bem na
luta contra a COVID-19 no Brasil”, explica a dire-
tora de Comunicação do IRelGov, Raquel Araujo.
“Num momento delicado como o que estamos
passando, disseminar boas práticas se faz neces-
sário”, completa.
Em meados de maio demos o primeiro
passo rumo a prática do SOLIDARIZA: enviamos
um e-mail com duas perguntas para nortear o
trabalho de divulgação dos projetos com o perl
que procuramos e que tenham basicamente o en-
volvimento de prossionais de relações governa-
mentais. Recebemos dez respostas armativas de
ações, sendo que cinco delas se disponibilizaram a
gravar um vídeo - seja no local de trabalho ou na
comunidade onde mora - para contar sua história
de solidariedade.
Para quem não quer ou não pode gravar
um vídeo, damos a opção de enviar uma foto e fa-
zer um relato resumido da ação que desenvolve
- explicando o projeto e o público beneciado. Se
tiver uma foto maravilhosa, melhor ainda. É im-
portante contarmos essas histórias para inspirar
que outras surjam. Essa é uma forma de enfrentar
a crise e nos preparar para o mundo que teremos
no pós-pandemia.
Para aqueles que concordaram em gra-
var um vídeo falando da sua ação ou daquela de-
senvolvida por sua empresa, pedimos para que
sigam alguns padrões:
• Duração do vídeo: um minuto e meio no máximo.
• O celular deve car na horizontal (deitado), for-
mato que se adequa a mais de uma rede social.
• Ao gravar, que atento com a luz que possa sur-
gir na imagem vinda de uma lâmpada ou da jane-
la. Opte sempre por car com a luz no seu rosto,
atrás do celular. Além disso, tente deixar o apare-
lho numa distância que pegue você do tórax para
cima, mas cuidado para não car longe demais e o
som car baixo.
NÃO RESPONDEU A PESQUISA E QUER
PARTICIPAR? Ainda dá tempo. Mande um email
para estagio@irelgov.com.br
Quando nos juntamos, é impossível não
vencer!
SOLIDARIZA IRelGov: UMA FORMA DE AJUDAR
< >
Artigo
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Vivemos em 2020 um momento sem preceden-
tes, apesar de já termos passado por outras graves crises,
incluindo guerras e pandemias. Um ponto em particular
que difere esta das demais é a quantidade de tecnologia
disponível atualmente – algo que traz vantagens e des-
vantagens. Por exemplo, se hoje podemos ter acesso à
informações originadas em qualquer parte do planeta de
forma extremamente rápida, essa facilidade de geração e
compartilhamento tem trazido problemas para acompa-
nhar uma quantidade massiva de dados, ltrando o que
é relevante daquilo que é fake news, seja na saúde ou em
quaisquer outras.
Diversos indicadores demonstram a gravidade
desse momento. Podemos escolher um (existem dezenas
de outros com o mesmo tom) para ilustrar o ponto, que
é o ICEI – Índice de Conança do Empresário Industrial
CNI, que indica o menor valor histórico de 34,7 pontos em
maio/20, versus 60,3 registrado em março.
Essa situação vem reforçar a inuência das ex-
ternalidades sobre a estratégia das organizações, tanto
no ambiente externo quanto interno, impactando as for-
ças de mercado (como concorrentes atuais/potenciais,
produtos/serviços substitutos, fornecedores, clientes)
e de não-mercado (governo, ONGs, mídia, academia), e
a importância da área de RIG – Relações Institucionais
e Governamentais nesse complexo contexto durante e
após o período de crise. É necessária uma combinação
de ações por todos os envolvidos. No caso das organiza-
ções, uma revisão de seus níveis de estratégia empresa-
rial (corporativa, competitiva, funcional) e do ponto de
vista de RIG (institucional, setorial/multisetorial, trans-
versal), parcerias e ações conjuntas junto a um maior nú-
Rodrigo Navarro*
Perspectivas de Melhores
Práticas em RIG e a COVID-19
< >
Artigo
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Artigo
mero de stakeholders, com um acréscimo na periodicida-
de dessas interações.
Muitas empresas, no Brasil e no exterior, estão
fazendo isso. Como exemplos externos podemos citar
compilação do World Economic Forum, que traz o caso da
Uber oferecendo uma quantidade de corridas gratuitas
às autoridades de saúde no Reino Unido; a Airbus cons-
truindo respiradores de uso médico; e a HP mobilizando
soluções de impressão 3D no combate à COVID-19. No
âmbito nacional, iniciativas como a doação de R$ 1 bilhão
para combater a pandemia pelo Itaú; AMBEV, Gerdau e
Einstein se unindo à Prefeitura de São Paulo para a cons-
trução de um centro para tratamento de coronavírus; e a
Toyota e sua Fundação, doando 25 toneladas de alimen-
tos e 28 mil máscaras, constituem alguns exemplos.
No tocante especicamente à RIG, vemos que
essa atividade transcende fronteiras e independe do lo-
cal de trabalho. O que tenho visto nas interações diárias
com outros prossionais dessa área leva a algumas ree-
xões. Alguns têm declarado com surpresa nesse período
de crise estarem se deparando com características que
não são (ou não deveriam ser) novas: um contato cons-
tante com C-level e outras áreas da empresa; atuação com
total transparência (alegando que muitas das interações
são gravadas) e muito trabalho. Ora, para quem tem ex-
periência nessa área, nada disso deve (ou deveria) ser
novidade. O que mudou, então? Certamente o uso inten-
so de tecnologia, um volume maior do que o normal de
trabalho e de informações para serem processadas/anali-
sadas; novos formatos de interação (como intermináveis
sequências de vídeo-chamadas); e a gestão de equipes à
distância. Além, é claro, do desao de inuenciar de for-
ma remota: algo que até muitos stakeholders (como os
parlamentares) têm experimentado por meio dos novos
formatos de deliberação do Congresso. Isso sim é novo, e
deve deixar um legado para o médio/longo prazo na ati-
vidade. A palavra deve ser equilíbrio durante a crise e no
pós-crise, quando em meio ao caos que se seguirá, muitas
oportunidades para RIG se abrirão e as interações pesso-
ais serão mais valorizadas.
Nesse sentido, em outra interessante publica-
ção do World Economic Forum, há relatos de como as em-
presas estão respondendo à crise trazida pela pandemia
da COVID-19. Podemos identicar um padrão em quase
todos os casos abordados. A Telenor, trabalhando com
autoridades de diferentes países na região onde opera
para previsão e prevenção da doença utilizando big data
e dados provenientes de celulares; a AB InBev, unida a
O que tenho visto nas interações
diárias com outros profissionais dessa
área leva a algumas reflexões. Alguns
têm declarado com surpresa nesse
período de crise estarem se deparando
com características que não são (ou
não deveriam ser) novas: um contato
constante com C-level e outras áreas da
empresa; atuação com total transparência
(alegando que muitas interações
são gravadas ) e muito trabalho.
parceiros e governos locais na Colômbia, Peru e Equador
fabricando produtos de limpeza à base de álcool no apoio
ao combate da doença em diferentes comunidades; Sano-
e GSK trabalhando juntas para desenvolver uma vacina
contra a COVID-19 e almejando uma solução que deverá
ser acessível em termos de custo e distribuição em todo o
mundo. Qual o padrão mencionado nesses casos? A inten-
sa relação setor privado-governos, ou nossa conhecida
atividade de RIG.
Interessante notar que, apesar desse evidente
reforço na necessidade de aumento do relacionamento
institucional e governamental mundo afora, não temos
visto isso ser enfatizado em notícias e artigos acadêmicos
no Brasil (o presente material é um esforço nesse sentido).
Por exemplo, duas renomadas consultorias, Ac-
centure e McKinsey, publicaram recentemente materiais
onde destacam, respectivamente (tradução livre): “à me-
dida que os governos fazem intervenções signicativas em
resposta ao coronavírus, as empresas estão se adaptando
rapidamente às novas necessidades de seus funcionários,
clientes e fornecedores, enquanto enfrentam desaos
nanceiros e operacionais”; e “desde o início da crise, a
McKinsey publicou mais de 70 artigos sobre o extraordiná-
rio impacto na saúde pública e na economia, bem como as
ideias que os líderes governamentais e empresariais pre-
cisam para salvaguardar vidas e meios de subsistência”.
Mas como as referidas adaptações das empre-
sas e as ideias e reações aos desaos serão analisadas
e tratadas pelos diferentes públicos envolvidos? Quem
fará essa intermediação entre as empresas e os respec-
tivos stakeholders-chave, incluindo – mas não somente –
9
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Artigo
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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aqueles de Governo? Para as necessárias adaptações de
ambientes regulatórios e não uma simples atividade de
cumprimento do que está sendo discutido/estabelecido,
a quem poderemos recorrer?
A resposta para todas essas questões é a mes-
ma: a área e prossionais de RIG. Para fazer frente a esses
desaos, podemos relacionar uma série de recomenda-
ções, considerando impactos, priorizações e melhores
práticas na arena de RIG no Brasil e no mundo, de forma
objetiva nesses tempos de crise e pandemia:
• Adapte as estratégias: incorpore exibilida-
de, adaptabilidade, sensibilidade, criatividade, gentileza,
generosidade e velocidade.
• Filtre: entenda em profundidade quais legis-
lações estão sendo publicadas e/ou propostas (impactos,
requisitos).
• Repense o propósito: reita sobre o que re-
almente importa para além do próprio negócio (funcio-
nários, clientes, comunidades), sempre com empatia ver-
dadeira.
• Competências: reforce as habilidades para
uma atuação otimizada de RIG.
• Lidere com compromisso: tenha foco no in-
vestimento em relacionamentos futuros e de longo prazo.
• Seja resiliente: não basta car no discurso, é
necessário ir para a prática.
• Compartilhe informações: forneça para to-
dos que necessitem informações úteis, de forma frequen-
te e com qualidade.
• Aumente a visibilidade: concentre-se e cuide
da reputação corporativa e prossional perante todas as
partes interessadas.
• Reconheça o impacto nos negócios: mas, ao
mesmo tempo, reconheça os impactos socioeconômicos
na vida de todos.
•     obtenha infor-
mações, por exemplo, de cientistas, médicos, técnicos,
sempre que necessário para posicionamentos e/ou toma-
da de decisões.
• Priorize: o que precisa parar/acontecer/pau-
sar, com quem falar, por que e quando.
As referidas adaptações das
empresas e as ideias e reações aos
desafios serão analisadas e tratadas
pelos diferentes públicos envolvidos?
Quem fará essa intermediação
entre as empresas e os respectivos
stakeholders-chave, incluindo - mas
não somente - aqueles de Governo?
• Utilize diferentes canais: otimize o uso dos
vários canais disponíveis para entregar mensagens sele-
cionadas para os principais públicos selecionados.
• Alinhe internamente: entregue análises de
externalidades pelas lentes de RIG para alinhamento com
o C-level, jurídico, nanceiro, recursos humanos, opera-
ções, dentre outras áreas da cadeia de valor.
• Use tecnologia: monitoramento via inteligên-
cia articial/aumentada e robôs de busca, videoconfe-
rência, tecnologia em nuvem, dentre outras ferramentas.
• Pense desde já no pós-crise: considere im-
pactos no futuro do trabalho, comunicações e relaciona-
mentos.
• Mantenha a “licença para operar”: atenção à
integração, autenticidade, novos questionamentos e va-
lores percebidos.
Para ilustrar de forma prática, trago o caso da
entidade que presido, a ABRAMAT (Associação Brasileira
da Indústria de Materiais de Construção), entidade que
representa mais de 20 setores e reúne cerca de 50 em-
presas e 400 fábricas no país.
Do ponto de vista estratégico, estabelecemos
três linhas de ações prioritárias nesse momento de crise:
seleção e envio de informações qualicadas aos associa-
dos e membros; interação constante com o(s) Governo(s)
e periódica com demais stakeholders selecionados (como
a mídia); e compartilhamento interno de melhores práti-
cas entre associados, membros, e com outras entidades.
No plano tático, executamos diversas ações,
como reuniões semanais do Comitê de Crise; disponibili-
zação de área especíca no site da entidade com atuali-
zações periódicas, em formato aberto; estabelecimento
9
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Artigo
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Rodrigo Navarro é Doutor pela Rennes School of Business, professor e coordenador do MBA em Rela-
ções Governamentais da FGV, Presidente da ABRAMAT – Associação Brasileira da Indústria de Materiais
de Construção e idealizador do Anuário ORIGEM.
Em meados de maio, a pesquisa de doutorado apresentada por Rodrigo Navarro na instituição aca-
dêmica francesa foi lançada como o livro “The Strategic Government Relations Handbook: Improving
Performance at this Non-Market Arena” disponível na versão e-book. Dividido em cinco capítulos, o
livro traz teoria, conceitos, modelos, ferramentas e exemplos práticos que podem ajudar a otimizar o
desempenho na atividade de Relações Governamentais.
de trabalho remoto, antecipação de férias e renegociação
do valor do aluguel das salas em São Paulo e Brasília; par-
ticipação em Grupos de Trabalho e Comitês criados pelo
Governo (com o estabelecimento de um ponto focal para
maior agilização na comunicação); elaboração de diag-
nósticos precisos, baseados em dados, e oferecimento de
propostas factíveis com embasamento técnico; e estabe-
lecimento de parcerias sinérgicas com outras entidades
(CNI, FIESP, ANAMACO, entre outras).
Como exemplos dos resultados obtidos das
ações que se encontram em pleno andamento, tivemos
várias das propostas aceitas e implementas pelo governo,
desenvolvemos e coordenamos posicionamentos (cartas
abertas) em conjunto com outras 60 entidades envol-
vendo temas comuns, e tivemos, no Decreto 10.329, de
28/04/20, o justo reconhecimento da essencialidade da
produção, distribuição, comercialização e entrega de ma-
teriais de construção.
Gostaria de reforçar também um ponto que já era
muito importante para RIG e que ganhou ainda mais relevân-
cia durante esse cenário de crise: a questão da capacitação.
Já escrevi em outros artigos que há muito tem-
po a área de RIG deixou de ter no network seu foco úni-
co. Claro que uma boa rede de contatos continua sendo
importante, mas outros fatores preponderantes foram
sendo somados ao longo do desenvolvimento dessa ati-
vidade, em especial nesses momentos de crise: o conhe-
cimento especíco (competências em RIG, entre hard e
soft skills – como planejamento por cenários, gestão do
tempo, negociação, comunicação interpessoal e controle
emocional – e o saber sobre a empresa e respectivos se-
tores de atuação); e a experiência, ou o que já foi vivencia-
do e que pode servir de inspiração em casos futuros (por
exemplo, este mesmo enfrentamento de crise, que deve
gerar umas série de boas práticas, além de erros cometi-
dos que servirão como aprendizado).
Assim, muito se fala em atividades e setores
cujas demandas tiveram forte queda e que deverão ter
Esta atividade [RIG] está sendo
muito importante nesse contexto de
crise e será ainda mais demandada no
pós-crise sob diversos formatos. Por
exemplo, as empresas que não tinham
essa área internamente passaram
a considerar a sua criação; aquelas
que já tinham, pensam em reforçá-la;
muitas passaram a contratar novos
serviços digitais de monitoramento
de atividades no Congresso e
em Assembleias Legilsativas
uma recuperação lenta, como viagens, turismo, restau-
rantes, hotéis, cinemas, salões de beleza; e outras que
tiveram um expressivo aumento de demanda e que de-
vem se manter em alta, como entrega de comida; ensino
à distância; telemedicina; planos de saúde; produtos de
limpeza; serviços de streaming; seguros.
Mas nessa relação não encontramos, nova-
mente, os serviços de RIG. Esta atividade está sendo
muito importante nesse contexto de crise e será ainda
mais demandada no pós-crise sob diversos formatos.
Por exemplo, as empresas que não tinham essa área in-
ternamente passaram a considerar a sua criação; aquelas
que já tinham, pensam em reforçá-la; muitas passaram a
contratar novos serviços digitais de monitoramento de
atividades no Congresso e em Assembleias Legislativas
por todo o Brasil; as consultorias nessa área estão sendo
mais procuradas, seja para novos contratos ou para tra-
balhos especícos, assim como já está acontecendo em
outros países.
Há muito trabalho a fazer. Vamos em frente,
juntos, prossionais de RIG.
The Strategic
Government
Relations
Handbook
Improving Performance at
this Non-market Arena
Rodrigo Navarro
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Artigo
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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8 91 2 3 4 5 6 7E S
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No dia 29 de abril de 2020, o Supremo Tribunal
Federal (STF) concedeu a liminar para suspender a ecá-
cia de dois artigos da Medida Provisória (MP) 927/2.020,
que trata da exibilização das relações trabalhistas em
razão do estado de calamidade pública decorrente da
pandemia da COVID-19. Os artigos suspensos são o 29 e
31
1
, que tratam respectivamente dos critérios para de-
1 Art. 29. Os casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) não serão considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação
do nexo causal;
Art. 31. Durante o período de cento e oitenta dias, contado da data de entrada em vigor desta Medida Provisória, os Auditores Fiscais do
Trabalho do Ministério da Economia atuarão de maneira orientadora, exceto quanto às seguintes irregularidades:
I – falta de registro de empregado, a partir de denúncias;
II – situações de grave e iminente risco, somente para as irregularidades imediatamente relacionadas à conguração da situação;
III – ocorrência de acidente de trabalho fatal apurado por meio de procedimento scal de análise de acidente, somente para as irregularidades ime-
diatamente relacionadas às causas do acidente; e
IV – trabalho em condições análogas às de escravo ou trabalho infantil.
nir o coronavírus como doença ocupacional e a limitação
da autuação de auditores scais do trabalho à atividade
de orientação.
De acordo com os ministros, trata-se de ônus
muito pesado para o empregado ter de comprovar que
sua doença é relacionada ao trabalho, haja vista que não
Por Eriça Tomimaru*
STF considera COVID-19
como doença ocupacional?
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Artigo
DIÁLOGOS IRELGOV - JUNHO de 2020
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8 91 2 3 4 5 6 7E S
Artigo
há forma de se comprovar o exato momento de sua con-
taminação pelo coronavírus.
A decisão liminar foi proferida no julgamento
de sete Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs),
ajuizadas contra a MP pelo Partido Democrático Traba-
lhista (ADI 6342), pela Rede Sustentabilidade (ADI 6344),
pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúr-
gicos (ADI 6346), pelo Partido Socialista Brasileiro (ADI
6348), pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pelo
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pelo Partido dos
Trabalhadores (PT), conjuntamente (ADI 6349), pelo par-
tido Solidariedade (ADI 6352) e pela Confederação Nacio-
nal dos Trabalhadores da Indústria (ADI 6354).
Com a suspensão da ecácia do artigo 29 da MP
927/2020, surge o seguinte questionamento: o STF avalia
que os casos de contaminação da COVID-19 serão consi-
derados como doença ocupacional?
Há uma corrente que defende que para o STF os
casos de contaminação da COVID-19 serão considerados
(automaticamente) como acidente do trabalho, trazendo
uma nova interpretação sobre as premissas relativas ao
que seria uma doença ocupacional e quanto ao nexo cau-
sal da aquisição da doença e a atividade laboral, haja vista
que a doença pode ser contraída em qualquer ambiente.
Para tanto, levou em consideração que, como estamos
em período de isolamento social, o trabalhador que é
obrigado a sair de casa está mais propenso a se contami-
nar do que outras pessoas.
A corrente divergente entende que a suspensão
dos efeitos do artigo 29 da MP 927/2020 não presume o
entendimento de que os casos de coronavírus deverão ser
caracterizados automaticamente como doença do traba-
lho. De acordo com essa corrente, a intenção da MP é tor-
nar claro que a COVID-19 não pode ser considerada como
doença ocupacional automaticamente, com vistas a evitar
a sua judicialização e, com a suspensão do referido dispo-
sitivo, cada caso deverá ser analisado de forma individual.
A corrente divergente destaca que, assim como
o STF entendeu que seria muito oneroso ao trabalhador
comprovar que se trata de uma doença relacionada ao
trabalho, a mesma regra deveria ser aplicada aos empre-
gadores. Como justicativa alega que, na hipótese de o
empregador ser obrigado a se responsabilizar pela doen-
ça do empregado, seria provável que prera dispensá-lo
Nesse cenário,
independentemente de
qual corrente prevalecerá, é
recomendável aos empregadores
demonstrar que adotaram
todos os cuidados necessários
para preservar a saúde e
integridade de seus empregados
a correr tal risco. De acordo com a legislação vigente, a
doença prossional é denida como aquela produzida
ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a
determinada atividade e constante da respectiva relação
elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência
Social. Já a doença do trabalho é aquela adquirida ou de-
sencadeada em função de condições especiais em que a
atividade é realizada e com ela se relaciona diretamente,
também constante da relação do Ministério do Trabalho
e da Previdência Social.
Para a natureza acidentária da incapacidade ser
caracterizada, é necessário o nexo técnico epidemioló-
gico entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação
entre a atividade da empresa e a entidade mórbida moti-
vadora da incapacidade elencada na Classicação Interna-
cional de Doenças.
Nesse cenário, independentemente de qual
corrente prevalecerá, é recomendável aos empregadores
demonstrarem que adotaram todos os cuidados neces-
sários para preservar a saúde e integridade de seus em-
pregados, como por exemplo: (i) priorização da realização
dos trabalhos em casa; (ii) identicação de eventuais ris-
cos; (iii) entrega de equipamentos de proteção individual
(especícos para esse período de pandemia); (iv) orienta-
ção e scalização das medidas relacionadas à segurança;
(v) criar planos de prevenção etc.
Devido à importância da matéria, faz-se neces-
sário acompanhar as ações diretas de inconstitucionalida-
de para vericar qual será o entendimento a ser adotado
nos casos de contaminação por COVID-19. Entretanto, se
a MP 927/2020 não for votada até o dia 19 de julho de
2020, ela será arquivada e, por conseguinte, as ações judi-
ciais serão julgadas improcedentes, por perda de objeto.
* Eriça Tomimaru é diretora Jurídica do Instituto de Relações Governamentais e advogada do escritório Di Blasi, Parente & Associados.
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