Nesta Edição

ABERTURA

Por Rafael Rubin, líder do GT Partidos Políticos do IRELGOV

Por Rafael Rubin, líder do GT Partidos Políticos do IRELGOV

O tema “Partidos Políticos” ganhou destaque na Agenda de Relações Governamentais e Políticas Públicas 2025-2026 do IRELGOV, refletindo a necessidade de explorar mais profundamente essa interação dos partidos políticos junto aos profissionais das relações institucionais e governamentais. Essa interação responde a uma lacuna significativa na pesquisa e na implementação de padrões éticos e normativos que alinhem a interação público-privada às melhores práticas internacionais de realização de lobby nos mais diversos setores da sociedade.

Com esse propósito, foi criado um Grupo de Trabalho (GT) dedicado a promover debates e compartilhar experiências do dia-a-dia dos profissionais de relações institucionais e governamentais junto aos partidos e seus principais desafios. Além disso, o GT buscou consolidar e disseminar o conhecimento prático acumulado por especialistas e organizações que atuam nessa esfera corporativa/partidária quase que diariamente, trazendo luz sobre temas importantíssimos na seara das relações institucionais e governamentais.

Reconhecendo a crescente importância de um relacionamento ético e transparente entre os setores público e privado, os encontros realizados trouxeram especialistas para explorar conceitos, realizando um debate transparente e de alto nível sobre temas de extrema importância no âmbito dos partidos políticos e das relações institucionais e governamentais.

No primeiro encontro recebemos o presidente Estadual de SP da Juventude do MDB, Henrique Rossi, líder de um grande partido político brasileiro, que traçou um panorama histórico da criação dos partidos políticos no Brasil e de como atualmente há uma certa descrença em relação a essas instituições. Ele destacou que, após algumas reformas nos partidos brasileiros e de como estes se financiam, vivemos atualmente um ciclo de redução de números de partidos, porém fortalecendo aqueles já estabelecidos e dificultando novos entrantes.

O segundo encontro do GT teve como convidado Ivan Fernandes, cientista político e professor doutor da Universidade Federal do ABC, que abordou o tema bastante discutido sobre reforma política no Brasil e de entidades internacionais. O professor apontou as dificuldades em realizar qualquer tipo de reforma, uma vez que os atuais dirigentes de instituições nacionais e internacionais chegaram à liderança dessas entidades com as próprias regras atuais vigentes que tais reformas visariam alterar, e como exemplo trouxe a situação dos partidos políticos brasileiros que a todo momento discutem algum tipo de reforma política, mas que na prática avançam pouco nessa temática.

Francisco Rosa, coordenador de Comunicação da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP) foi o convidado do terceiro encontro do GT, que teve como tema a comunicação eficaz nos tempos atuais. O especialista salientou como os tempos atuais mudam de maneira muito rápida e exigem dos comunicadores respostas ainda mais rápidas. Nesse contexto trouxe o conceito “VUCA”, do inglês volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, originado no exército dos EUA para o cenário pós-Guerra Fria e amplamente usado hoje em negócios para indicar a necessidade de adaptabilidade, agilidade e novas estratégias diante das situações de instabilidade.

Encerrando os encontros, o especialista financeiro Rafael Herden, mestre em Controladoria e um dos responsáveis pela prestação de contas da campanha política do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apresentou o histórico do financiamento das campanhas políticas no Brasil desde a redemocratização e como isso poderia impactar a atuação dos profissionais de relações governamentais, uma vez que as campanhas políticas estão cada vez mais concorridas, complexas e caras.

Herden mencionou também a importância do IRELGOV em trazer luz a essas discussões, pois tratam de temas complexos e que precisam ser discutidos pela sociedade brasileira de maneira transparente e aberta, buscando maior eficiência dentro da democracia do nosso país.

Um ponto comum entre as apresentações foi o reconhecimento do profissional de RelGov como um agente essencial na interação da sociedade civil com os partidos políticos, sendo por meio de associações, empresas, terceiro setor e cidadãos, entre outros.

Esse GT foi um marco importante para consolidar a importância de discussões que envolvam os profissionais de relações governamentais e os partidos políticos, reforçando a atuação de modo transparente, ético e íntegro que a evolução da atividade exige.

Pequena história dos partidos políticos brasileiros

A primeira reunião do GT de Partidos Políticos, realizada com a participação do presidente estadual da Juventude do MDB em São Paulo e estudante de Administração Pública na FGV, Henrique Rossi, marcou um mergulho na evolução e nos dilemas atuais do sistema partidário brasileiro. Conduzido por Rafael Rubim, o encontro abriu espaço para uma contextualização histórica que passou pela redemocratização, pelo fim do bipartidarismo e pela explosão de legendas a partir dos anos 1980, quando 22 candidatos disputaram a presidência em 1989.

Rossi ressaltou que muitas siglas surgiram não por critérios ideológicos, mas para fortalecer grupos políticos, aprofundando a crise de identidade e a distância entre partidos e sociedade. Ele explicou ainda como o sistema proporcional, no qual o eleitor muitas vezes vota na legenda, exige uma coerência programática que, segundo ele, ainda não foi plenamente alcançada.

O debate abordou o impacto da mudança no financiamento eleitoral. Rossi detalhou como o fim do financiamento privado em 2015 e a criação do Fundo Eleitoral em 2017 provocaram forte centralização de poder nas cúpulas partidárias, que passaram a controlar rigidamente a destinação dos recursos. “Essa lógica favorece candidatos com mandato, dificulta a renovação política e amplia o fosso entre dirigentes e militância”, destacou. Ele também analisou os efeitos da Cláusula de Barreira e do fim das coligações proporcionais em 2021, medidas que impulsionaram a formação das federações partidárias. Embora reconheça a racionalidade do mecanismo, demonstrou ceticismo quanto à viabilidade dessas estruturas diante de culturas internas conflitantes, citando exemplos de alianças locais do MDB em São Paulo que diferem das composições nacionais.

“A lógica do financiamento eleitoral favorece candidatos com mandato, dificulta a renovação política e amplia o fosso entre dirigentes e militância”
Henrique Rossi
Presidente estadual da Juventude do MDB em São Paulo e estudante de Administração Pública na FGV

Outro eixo relevante da apresentação foi a distinção entre partidos ideológicos e partidos pragmáticos. Rossi observou que siglas de extrema direita e esquerda cresceram pela identidade clara que oferecem aos seus eleitores, mas enfrentam conflitos internos entre alas puristas e pragmatistas. Ao tratar do MDB, defendeu o partido como um “centro pragmático”, voltado a soluções propositivas. Ele fez uma defesa de uma “lógica invertida” na governança partidária, que reconhece o poder e a relevância de prefeitos e vereadores como pilares da política nacional. Ele lembrou que o MDB administra cerca de 850 prefeituras, com capilaridade municipal capaz de influenciar diretamente a vida das pessoas, e que essas bases deveriam ser protagonistas — e não apenas degraus para eleição de deputados federais.

No campo da modernização, Rossi apresentou iniciativas de transparência como o “Data MDB”, sistema que descentraliza a gestão de filiações e candidaturas, e mencionou um projeto para criar um banco de dados de projetos de lei para vereadores. Ele também destacou políticas internas de inclusão, como a cota estatutária de 30% de mulheres nos diretórios — meta que o partido pretende elevar a 50% — e o papel da Fundação Ulysses Guimarães na formação política voltada à cidadania, especialmente entre jovens que demonstram aversão crescente ao termo “política”.

No fim, Henrique Rossi faz uma avaliação sobre o futuro das federações partidárias. “Essas estruturas funcionam mais como uma “sobrevida momentânea” para partidos pressionados pela cláusula de barreira do que como instrumentos de unidade programática. O futuro aponta para fusões completas ou o esvaziamento das federações, dada a dificuldade de conciliar culturas partidárias divergentes”, ponderou. Ele defendeu o papel essencial de empresas e sociedade civil na construção de instituições políticas mais eficientes e representativas.

A importância da reforma política

A segunda reunião trouxe como convidado Ivan Fernandes, cientista político e professor doutor e coordenador do programa de pós-graduação em Políticas Públicas da UFABC. Logo na abertura, o líder do GT, Rafael Rubim, ressaltou o foco do grupo: desmistificar a atividade de relações governamentais e reforçar que lobby não é crime, mas uma prática legítima que precisa de transparência e boas normas. Fernandes defendeu a regulamentação por meio de uma lei do lobby que estabeleça registros e gere dados públicos capazes de qualificar estudos e análises.

O professor ressaltou que as reformas moldam o jogo, definindo quem participa do processo decisório e quais recursos cada ator possui. E apontou o paradoxo intrínseco às reformas políticas: “São necessárias, mas difíceis de aprovar, já que dependem justamente de parlamentares que se beneficiam das regras vigentes”. Ele revisitou o ciclo reformista dos anos 1990, quando o governo Fernando Henrique tentou reduzir a fragmentação partidária, movimento posteriormente desfeito pelo Judiciário. Para Fernandes, o sistema brasileiro é como um “transatlântico lento”: resistente a mudanças bruscas — o que evita rupturas drásticas, como as vistas na Argentina —, mas aumenta significativamente os custos de governabilidade.

No campo dos sistemas eleitorais, Fernandes comparou o modelo proporcional brasileiro, baseado em lista aberta, ao voto distrital majoritário utilizado em países como os Estados Unidos. No primeiro, observou, há espaço para inovação: candidatos com forte atuação digital podem se eleger com poucos votos, mas isso personaliza a política e enfraquece a coesão partidária. Já o distrital aproxima representante e eleitor, mas cria feudos eleitorais e reduz a renovação legislativa — apenas 5% a 10% nos EUA, contra cerca de 50% no Brasil. O professor foi enfático ao criticar o chamado “Distritão” (voto único não transferível), por considerá-lo um modelo que levaria ao extremo os problemas da lista aberta e eliminaria a função estruturante dos partidos na coalizão política.

Outro ponto do debate foi o financiamento eleitoral. Ivan Fernandes explicou a passagem do Brasil de um sistema misto para um modelo quase inteiramente público após escândalos como Mensalão e Lava Jato. Contrastou esse cenário com o modelo americano, marcado pelo financiamento empresarial ilimitado, que gerou o que ele chamou de “plutocratização do regime democrático”. No Brasil, contudo, a dependência do fundo público criou um efeito inverso: congelamento do sistema partidário e fortalecimento do que chamou de “partidos cartéis”, legendas estabelecidas que concordam tacitamente em preservar suas posições e dificultar o surgimento de novas forças políticas. Esse fenômeno, segundo ele, explica por que partidos orgânicos, como o PT dos anos 1980, dificilmente emergiriam nas regras atuais.

Indagado por Rafael Rubim sobre o movimento simultâneo de aumento dos recursos públicos e redução do número de partidos, Ivan Fernandes respondeu que máquinas burocráticas tendem sempre a expandir seus orçamentos, reforçando a lógica da cartelização. O professor também analisou o papel do Judiciário e normas recentes que tentam conter excessos, como o fim dos showmícios, e sugeriu a possibilidade de novas medidas de compliance. Por último abordou a dimensão transnacional das reformas, citando a paralisia da OMC e os impasses na ONU, mas reconhecendo avanços regionais como a cláusula democrática do Mercosul.

“As reformas políticas são necessárias, mas difíceis de aprovar, já que dependem justamente de parlamentares que se beneficiam das regras vigentes”
Ivan Fernandes
Cientista político e professor doutor e coordenador do programa de pós-graduação em Políticas Públicas da UFABC

Comunicação e política

Na terceira reunião, o convidado foi Francisco Rosa, coordenador de Comunicação da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP). O foco foi discutir como a lógica comunicacional molda o funcionamento dos partidos na era digital.

Rosa iniciou sua apresentação com o conceito VUCA — Volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade — como lente estruturante para interpretar a política contemporânea. Em tom autocrítico, relembrou sua crença antiga de que as redes sociais não teriam tanto impacto eleitoral, admitindo ter subestimado completamente a transformação em curso. A partir daí, mergulhou na forma como a Inteligência Artificial amplificou a velocidade e o volume de produção de conteúdo, citando ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que permitem que qualquer pessoa gere textos complexos rapidamente — uma vantagem operacional, mas também um risco quando não há curadoria analítica.

“Em um ambiente tão imprevisível, é difícil navegar nesse mundo”
Francisco Rosa
Coordenador de Comunicação da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP)

Aplicando o conceito de volatilidade ao setor público, observou que as instituições brasileiras têm dificuldade em responder com agilidade a crises porque a tomada de decisão está concentrada na figura de um dirigente. Já sobre incerteza destacou que mesmo ações planejadas podem gerar reações negativas inesperadas nas redes sociais, exigindo monitoramento constante e respostas rápidas para evitar o acirramento de crises.

Em relação aos aspectos de complexidade e ambiguidade, Francisco Rosa explicou que, diferentemente de décadas anteriores, hoje inúmeros atores e vozes têm protagonismo, o que torna a gestão de conflitos muito mais difícil. Ele citou o caso de obras públicas que antes passavam despercebidas, mas que hoje geram protestos instantâneos em redes sociais: “Em um ambiente tão imprevisível, é difícil navegar nesse mundo”.

A parte final da reunião explorou como a disrupção política acontece com a mesma velocidade do mercado corporativo. Rafael Rubim usou como exemplo que, há poucos anos, ninguém poderia imaginar o enfraquecimento do PSDB, hoje substituído pelo PSD como força de equilíbrio. Já Rosa afirmou que a ambiguidade é estrutural à política moderna — “não tem como atender um grupo sem desatender outro” — e reforçou a importância de comunicar claramente os objetivos de longo prazo.

Campanhas políticas: modelos de financiamento

A quarta e última reunião do GT de Partidos Políticos recebeu como convidado o especialista em finanças Rafael Herden, mestre em Controladoria, atual chefe de gabinete da Secretaria da Família, Cidadania e Segurança Alimentar de Osasco e um dos responsáveis pela prestação de contas da campanha política do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. A conversa teve como objetivo analisar como o financiamento eleitoral e o lobby se encontram e quais mecanismos são necessários para garantir disputas mais transparentes, justas e acessíveis.

Herden começou com uma retrospectiva do financiamento eleitoral no Brasil. Relembrou o período anterior a 2015, marcado pelo protagonismo das empresas no custeio das campanhas, e detalhou o impacto da decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu doações empresariais após os escândalos do Mensalão e da Lava Jato. Ele explicou como a criação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, em 2017, deslocou poder para as cúpulas partidárias, que passaram a concentrar as decisões sobre distribuição de recursos. Como exemplo, citou os “super doadores” de 2024, mencionando Rubens Ometto que, sozinho, contribuiu com cerca de R$ 19 milhões. Isso provocou a dúvida se o antigo lobby empresarial estaria sendo substituído por um lobby de pessoas físicas de alta renda. “Embora haja limite de 10% da renda bruta para doações, a desigualdade permanece, pois candidatos com maior proximidade do empresariado seguem arrecadando mais”, alertou.

O mestre em controladoria reforçou que o lobby, em si, é legítimo — uma ação de influência orientada a objetivos claros — e que o problema não é eliminar a prática, mas blindá-la contra desvios com regras, compliance e transparência. Ele citou o caso das Lojas Americanas como alerta sobre impactos reputacionais que podem respingar em toda a cadeia de atores políticos e econômicos. O líder do GT, Rafael Rubim, lembrou episódio recente envolvendo o INSS, em que o termo lobista foi usado de maneira pejorativa para associar a atividade à figura de “agente de propina”, e relatou a atuação do IRELGOV para dissociar a profissão desse estigma. Ambos concordaram que regular o lobby é essencial para garantir credibilidade institucional.

“Embora haja limite de 10% da renda bruta para doações, a desigualdade permanece, pois candidatos com maior proximidade do empresariado seguem arrecadando mais”
Rafael Herden
Mestre em Controladoria, atual chefe de gabinete da Secretaria da Família, Cidadania e Segurança Alimentar de Osasco

A tecnologia entrou no centro da discussão quando o convidado apresentou os avanços do TSE e da Receita Federal no cruzamento de dados para detectar Caixa 2, doações vedadas e movimentações suspeitas. Herden destacou, porém, que a Inteligência Artificial (IA) ainda é uma ferramenta recente e explosiva, tanto para fiscalizar quanto para burlar o sistema. Deepfakes, fazendas de robôs e simulações artificiais de apoio popular foram apontadas como ameaças reais para 2026.

No encerramento, o especialista analisou modelos internacionais, citando o sistema alemão de matching funds — no qual o Estado complementa doações de cidadãos — como possível alternativa para estimular engajamento cívico autêntico. Ele foi realista, porém, ao observar que, no Brasil, as doações de pessoas físicas ainda representam menos de 5% do total mobilizado, evidenciando um abismo entre eleitores e o processo político. Com a ascensão da IA, a concentração de recursos nas mãos de poucos e a fragilidade institucional diante de conteúdos falsos, os participantes concluíram que 2026 exigirá vigilância permanente, reforço regulatório e um compromisso renovado com a integridade da disputa democrática.

A reunião terminou com uma reflexão sobre a necessidade de profissionalização e profundidade metodológica. Sobre a dificuldade de obter respostas de parlamentares, Barreto argumentou que o voto é o capital político mais valioso de um deputado e, por isso, ele só responde quando percebe que sua opinião está sendo tratada com respeito intelectual. O líder do GT Jonathan Goudinho encerrou o encontro reconhecendo que muitos profissionais ainda carecem de rigor no mapeamento de stakeholders e que a intuição política, embora útil, precisa ser sustentada por dados sólidos e método, reforçando a convicção de que o avanço do setor depende, cada vez mais, da combinação de ciência política aplicada, inteligência estruturada e métricas claras.

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Expediente #02 – Janeiro – 2026

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Jornalista Responsável
Luiza Paula Sampaio (MTb 17.043)

Coordenação Editorial
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Colaboraram nesta edição
Fernando de Moraes
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