Quais desafios econômicos 2027 reserva? Para debater o tema, o IRELGOV (Instituto de Relações Governamentais) realizou no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, dia 31, com apoio da WMF Capital Research, o encontro “Panorama Econômico para tomada de decisão em 2027”, que reuniu especialistas para uma conversa sobre cenário econômico, reforma tributária, perspectivas e os principais fatores que devem orientar decisões estratégicas no próximo ano.
Organizado pelo diretor regional do IRELGOV e comentarista de economia na CNN, Gilvan Bueno, e por Julia Nicolau, coordenadora de Análise e Suporte à Competitividade Empresarial da Firjan, o evento trouxe um tom otimista em relação ao Rio de Janeiro. Segundo os presentes, a reforma tributária, por exemplo, focada em taxar no destino, deve impulsionar a arrecadação do estado, que conta com um grande número de consumidores. Outros pontos fortes são a logística, com porto como o do Porto do Açu, e a exploração de petróleo.

O primeiro painel, focado na reforma tributária, foi conduzido por Priscila Sakalem, advogada tributarista, secretária-adjunta da Comissão de Direito Tributário da OAB-RJ, coordenadora da Pós-graduação em Direito Tributário do Mackenzie Rio e secretária de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) do Estado do Rio de Janeiro. Ela destacou que, com o novo modelo, a tributação incidirá sobre o consumidor final, no destino, pondo fim à guerra fiscal entre os estados. “A partir daí será necessário analisar outros aspectos, como mercado consumidor, logística e capacidade de exportação, entre outros. Nesse cenário, o Rio sai na frente, pois conta com boas condições nesses pontos. E é aí que as relações governamentais podem fazer a diferença, ao levarem aos líderes políticos esses parâmetros positivos”.

No segundo painel, Breno Medeiros, consultor especializado em O&G (Óleo e Gás), abordou a importância do petróleo para a economia fluminense e ressaltou que a área é intensiva em capital e com retorno previsto a longo prazo. “Portanto, não é tão afetada por mudanças no cenário eleitoral, como a área de bens de consumo. A decisão de investimento passa muito mais pelo preço da commodity no mercado internacional. Por isso, essa cadeia produtiva continuará sendo importante para o nosso estado por um bom tempo ainda”.


Para Júlia Nicolau, o Estado do Rio precisa de um choque para voltar a ser produtivo e competitivo. “O Brasil tem problemas graves nesses quesitos e nosso estado não é diferente. A qualificação do trabalho é baixa comparada à média internacional. A inovação também precisa melhorar muito. De nada adianta investirmos em pesquisas que geram patentes sem aplicação prática. Na Europa e nos Estados Unidos, os pesquisadores estão mais dentro das empresas do que das universidades”. Ela fez um apelo. “Vivemos um novo momento. A sociedade não pode deixar que voltemos ao passado. Tem que cobrar, exigir. Só assim teremos um Rio com maior protagonismo nacional”.

André Senna Duarte, professor da PUC-Rio, afirmou que a economia brasileira está em uma situação delicada, em função do crescimento da dívida pública e do aumento da inflação, mas que acredita em um futuro positivo se a sociedade alterar alguns comportamentos. “A questão da poupança, por exemplo. O povo brasileiro vive muito no curto prazo – temos uma das mais baixas taxas de poupança entre as 40 maiores economias. É preciso mudar essa forma de pensar”. Ele concordou com Júlia Nicolau. “Todos os setores apresentam baixa produtividade, incluindo o agronegócio. Nossas pesquisas não são pensadas para encontrar soluções para problemas práticos”.
“Eventos como esses são essenciais para se pensar o futuro do nosso estado”, afirmou Gilvan Bueno. “Uma oportunidade de reunir especialistas para debater questões como tributos, alternativas de desenvolvimento e mobilizar o Rio, sempre buscando analisar como as relações institucionais e governamentais podem fazer esse link entre iniciativa privada e tomadores de decisão de políticas públicas”.

