Advogada e senior fellow do IRELGOV, Mariana Chaimovich acaba de ser anunciada como nova diretora-executiva do instituto. Mestre em Direito Internacional Público e doutora em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo, Mariana tem experiência em advocacy, processo legislativo, relações institucionais e governamentais.
Com a saída de Lara Gurgel, que embarcará em novos desafios profissionais, Mariana comentou sobre a importância do IRELGOV para o aperfeiçoamento da atividade de relações governamentais e as iniciativas que pretende implementar durante sua gestão.
1 – Como foi seu primeiro contato com o IRELGOV e o que a motivou a se tornar associada do instituto? Há quanto tempo você faz parte desse ecossistema?
Meu primeiro contato com o IRELGOV foi anterior ao meu começo profissional na área, entre 2016/2017. Eu estava terminando o doutorado e comecei a pensar no que gostaria de fazer com o que tinha estudado de uma maneira mais prática, aplicável. Depois de alguma pesquisa, cheguei nas relações governamentais e no IRELGOV. Meu primeiro emprego foi em um escritório de advocacia que tinha uma equipe de RelGov e desde então passei por consultoria de análise política, pelo terceiro setor e, agora, estou assumindo uma posição no IRELGOV, instituição na qual fui senior fellow nos últimos anos, além de coordenar o programa de mentoria com o auxílio da nossa querida Lara Gurgel. Estou muito contente com o privilégio de colaborar para a produção de conteúdo e consolidação deste think tank e para a melhoria da reputação do profissional de relações governamentais no Brasil
2 – Quais benefícios o instituto proporciona a um associado?
Estar no IRELGOV permite não apenas ter contato com pares e pessoas mais seniores na profissão (algo no qual o nosso programa de mentoria é pioneiro) mas também ter acesso a material elaborado pelo e para o profissional de RelGov. O instituto tem se firmado, ao longo dos últimos anos – e, ressalto nesses últimos anos a liderança da Lara como diretora-executiva e como memória institucional do IRELGOV – como um hub de conteúdo sobre os mais diversos temas que impactam a vida dos nossos colegas e da sociedade como um todo: publicamos pesquisas sobre indicadores de relações governamentais, RelGov e antirracismo e guias sobre boas práticas, entre diversos outros estudos. Iremos lançar, ainda neste começo de ano, uma pesquisa sobre trilhas de carreira para o profissional, que tive o privilégio de coordenar. Caso haja interesse, o associado consegue não apenas consumir esse material, mas ajudar a construir o instituto, seja participando dos grupos de trabalho, seja respondendo às pesquisas, liderando uma diretoria regional ou se candidatando para participar do conselho consultivo como senior fellow. As possibilidades de participação – e de cocriação – são inúmeras, e o instituto está sempre aberto para novos profissionais e novas ideias.
3 – Ao assumir a diretoria-executiva, quais são os projetos e prioridades que você considera centrais para este novo ciclo do IRELGOV?
A agenda de relações governamentais para o biênio 2025-2026 tem os seguintes temas principais: Democracia, Partidos Políticos, Participação Política, Profissionalização e regulamentação do lobby, Estratégias, táticas e mensuração de resultados de relações governamentais em nível internacional, nacional e subnacional, Transparência, integridade, compliance e combate à corrupção, ESG, DEI (diversidade, equidade e inclusão) e sustentabilidade, Política Internacional, Relações públicas, public affairs e relações governamentais e Transformação digital das relações governamentais. Diversos conteúdos já foram elaborados para guiar nossos colegas em relação a esses assuntos, e estamos no processo de finalizar esse material para então começar a montar a agenda para o biênio seguinte, o que é um desafio por si só. O IRELGOV lançou no ano passado o regulamento do diagnóstico de maturidade em relações governamentais e o selo de boas práticas em RelGov para organizações, e estamos trabalhando em uma metodologia para implementar essa empreitada, que é pioneira. Além disso, o Congresso Internacional, que reúne grandes nomes da área, além da Missão Internacional do IRELGOV são centrais para o instituto, e serão focos importantes deste ano que se inicia.
4 – Quais são os principais desafios que você enxerga para a gestão do instituto no atual contexto político, institucional e social do país?
Acredito que se manter relevante em um momento no qual as atenções estão divididas é particularmente difícil, mas é importante fortalecer a percepção de que tudo aquilo que fazemos pode ajudar a interpretar melhor esse cenário, lidar com as nuances e, no limite, ajuda a compreender melhor as forças que atuam na sociedade para promover um diálogo saudável – e não apenas algo que pareça uma batalha entre torcidas. Participar da discussão sobre a regulamentação da profissão é essencial nesse contexto, afinal isso afeta não apenas nossa atividade profissional mas a manutenção de uma sociedade plural, com políticas públicas mais transparentes e atores públicos recebendo informações qualificadas por parte da sociedade civil da maneira mais aberta possível – algo que o IRELGOV sempre prezou em todas as suas manifestações a respeito do tema.
5 – Na sua avaliação, qual é o papel do IRELGOV no fortalecimento e no aperfeiçoamento da área de relações governamentais no Brasil? Quais contribuições do instituto você destacaria?
O foco do IRELGOV nos últimos anos tem sido se fortalecer como think tank, um espaço de trocas que una pesquisas com metodologia estruturada que abordem temáticas relevantes para o mercado, e que sejam de fato uma fonte para aprimorar o trabalho das equipes, implementar boas práticas, colocar as pessoas para conversar e compartilhar conhecimento. Destaco, portanto, as pesquisas encabeçadas pelos senior fellows, os materiais elaborados pelos grupos de trabalho, construídos a muitas mãos pelo instituto, bem como os modelos de referência dentre tantos outros conteúdos – que podem ser consultados gratuitamente e estão disponíveis no nosso site.
Além disso, é importante destacar que o IRELGOV é um lugar para conhecer pares e trocar experiências e vivências práticas sobre relações governamentais e institucionais, ter acesso a pessoas de fora do seu círculo, usufruir de webinares e podcasts, e participar de lunch matches, encontros com especialistas e happy hours. Estou convencida de que o IRELGOV, como uma construção feita entre seus associados e o seu corpo técnico, tem tudo para continuar no ótimo caminho em que já se encontra.
6 – Em um ano marcado por eleições, como as relações governamentais podem contribuir para o fortalecimento da democracia, da transparência e do diálogo entre sociedade, empresas e poder público?
A difusão do lobby como atividade essencial à manutenção da democracia é extremamente importante em um contexto político de polarização exacerbada, no âmbito nacional ou no internacional. Discussões que pareciam encerradas ressurgiram nos últimos anos, com um aumento do tom dos discursos à esquerda e à direita: o lobby vem para trazer subsídios a todos os tomadores de decisão a respeito dos mais variados assuntos, uma vez que o ator público não tem como estar a par de absolutamente toda as matérias que caem no seu colo. É por isso que a transparência de parte a parte é essencial para que nós, como profissionais, possamos continuar a realizar esse trabalho e fortalecer a interação entre o público e o privado.
